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“Donbass”, de Sergei Loznitsa, estreia nos cinemas portuguesas em junho

Depois de ter passado por cá em 2018 na secção competitiva do Porto/Post/Doc, a sátira sobre os conflitos entre Ucrânia e Moscovo, “Donbass”, do cineasta ucraniano Sergei Loznitsa, terá a sua estreia nacional nas salas de cinema portuguesas no dia 9 de junho.

Com distribuição da Midas Filmes, “Donbass” é um drama, com algum humor negro, que retrata a crueldade, a corrupção e o quotidiano daquela região do leste da Ucrânia, durante a guerra travada entre o exército ucraniano e os separatistas pró-russos.

Tendo como ponto de partida acontecimentos verídicos que o próprio realizador investigou, que ocorreram a partir de 2014, o filme conta várias histórias verídicas e recria-as, mostrando o pior lado da humanidade. É “um manual de sobrevivência no Donbass em 12 lições”.

É um filme sobre a interminável guerra, que começou em 2014, quando a Rússia invadiu e ocupou esta região da Ucrânia. A guerra persiste até hoje, pelo que o filme, apesar de ser de 2018, continua a ser atual e pertinente. Foi filmado em Kryvy Rih, a 300 km a oeste de Donetsk.

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“Donbass” (2018), de Sergei Loznitsa

“Donbass” foi o filme de abertura da secção Un Certain Regard no Festival de Cannes 2018, tendo arrecadado o prémio de Melhor Realização.

Loznitsa é um dos mais conceituados realizadores da Ucrânia, tendo sido premiado por filmes como “No Nevoeiro” (2012), “A Praça” (2014), “The Event” (2015) “Donbass” (2018) e “Funeral de Estado” (2019). Recentemente, o cineasta ucraniano tem estado envolvido em algumas polémicas, com o evoluir da guerra na Ucrânia, por ter-se declaro contra o boicote ao cinema russo, numa carta, dizendo que “muitos amigos e colegas, cineastas russos, se posicionaram contra essa guerra insana”. O que levou a que fosse expulso da Academia de Cinema da Ucrânia, por manifestar o seu apoio aos cineastas russos.

Numa entrevista dada ao IndieWire, em fevereiro deste ano, o realizador disse: “No que diz respeito aos ucranianos, a guerra já dura oito anos. (…) De certa forma, psicologicamente, os ucranianos estão quase acostumados a essa situação de viver numa condição de guerra potencialmente perigosa.”

Se Putin for bem-sucedido, Losnitza disse: “As pessoas serão submetidas ao mesmo tipo de corrupção – moral e mental – como fizeram durante a Cortina de Ferro. A coisa mais importante que acontece durante esses tempos é o que acontece com a moral das pessoas, à medida que elas se sentem confortáveis ​​fazendo coisas más, assim como as autoridades estão fazendo com elas.”

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