Double Bill Filmin é uma rubrica quinzenal inspirada no fenómeno da indústria cinematográfica em que as salas de cinema exibiam dois filmes pelo preço de um. Double Bill dá a conhecer dois filmes a ver na plataforma de streaming Filmin. Dois Filmes, uma Filmin.

 

O sexto episódio do Double Bill Filmin sugere dois filmes que abordam regimes opressores e ditatoriais.

Não (2012)

“Não” é a última parte da trilogia sobre a ditadura de Augusto Pinochet, no Chile, assinada por Pablo Larraín. O realizador revela-nos agora os bastidores da campanha “Não”, e todos os mecanismos e planos usados pelo marketing e publicidade para derrubarem do poder o ditador. Esta é uma história curiosa que merecia de facto ser contada pelo cinema, sobre o plebiscito que, em 1988, pôs fim a uma ditadura de 15 anos, imposta por Pinochet. De forma bastante criativa e arrojada o publicitário René Saavedra (Gael Garcia Bernal) consegue surpreender todos com as suas ideias de uma boa campanha publicitária. Criando uma campanha extremamente positiva sobre o Chile, e digamos no espirito da Coca-Cola ou Pepsi, conseguem vencer a campanha do “Sim”. “Não, não queremos Pinochet no poder, queremos voltar à democracia e liberdade que foram adquiridos por Salvador Allende”. É um pouco neste ambiente que se vive o filme, que pretende também demonstrar a importância da publicidade, a sua verdade e poder sobre a sociedade. “Não” é um retrato sério e humanista sobre um dos períodos mais importantes da história do Chile, que faz justiça àqueles que lutaram pela liberdade.

O Presidente (2014)

O realizador iraniano Mohsen Makhmalbaf, a viver há muitos anos no exílio, tem tido um papel ativo na luta contra a ditadura no Irão. Uma parábola sobre a queda de um ditador num país fictício, que a quando se dá a revolução ele vê-se obrigado a fugir do país com o seu neto. Nesta travessia pelo país, o velho (ditador), acompanhado pelo seu neto, vai-se apercebendo das consequências das suas políticas na população, nas suas condições de vida. Este filme, que é uma crítica política, acaba por nos demonstrar que uma ditadura e revolução podem por vezes ser a mesma coisa, a partir do momento em que os revoltosos conseguem ser tão selvagens como o ditador, o que mostra o lado mais negro do ser humano, a vingança. “O Presidente” foi filmado na Geórgia com atores georgianos, mas é uma sátira à ditadura do Irão e uma metáfora do presente e do futuro. O filme tem referencias nítidas à obra de Chaplin (“O Grande Ditador”, “O Garoto de Charlot” e “Luzes da Cidade”), acompanhado por momentos musicais, em tom de comédia, que lembram por vezes Kusturika. “O Presidente” é um filme simplista e que continua atual.