Double Bill Filmin #8

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Double Bill Filmin é uma rubrica inspirada no fenómeno da indústria cinematográfica em que as salas de cinema exibiam dois filmes pelo preço de um. Double Bill dá a conhecer dois filmes a ver na plataforma de streaming Filmin. Dois Filmes, uma Filmin.

 

O oitavo episódio do Double Bill Filmin sugere dois filmes que denunciam o racismo, um mais sobre as questões raciais nos EUA (“I am not your Negro – Eu não sou o teu negro”, de Raoul Peck) e outro sobre a luta de libertação do domínio colonial (“A Respeito da Violência”, de Göran Olsson).

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I am not your Negro – Eu não sou o teu negro (2016)

O cineasta Raoul Peck recupera e adapta ao cinema as memórias e textos inacabados de James Baldwin em “Remember This House”, para refletir e discutir sobre o racismo nos EUA e sobre as memórias que tinha dos ativistas dos direitos civis Medgar Evers, Malcolm X e Martin Luther King, todos eles assassinados. Raoul Peck parte destes textos do ensaísta Baldwin para ir à raíz dos problemas e sobre o que é ser negro nos Estados Unidos. O filme recorre a imagens de arquivo e a entrevistas ao próprio Baldwin, que nos ajudam a entrar no seu pensamento filosófico sobre as questões raciais nos EUA. “Eu não sou o te negro” é uma obra imprescindível de denúncia e uma homenagem aos direitos humanos. Um filme fundamental e poético para compreendermos o racismo, ainda nos dias de hoje.

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A Respeito da Violência (2014)

Göran Olsson recolhe um vasto material de arquivo da televisão sueca, com imagens dos movimentos independentistas africanos dos anos 1960-70, e recorre a excertos da obra “Os Condenados da Terra”, do psiquiatra e filósofo Frantz Fanon, para analisar a violência que acompanhou a descolonização Africana e as suas consequências. O filme está organizado em nove cenas de autodefesa anti-imperialista, através de excertos do livro de Fanon lidos pela cantora Lauryn Hill e de imagens de reportagens dos conflitos, muitas são palcos da Guerra Colonial na Guiné, Angola ou Moçambique, com imagens dos soldados portugueses durante a guerra colonial. O realizador levanta várias questões e toca num assunto ainda tabu nos dias de hoje, um tem ainda muito pouco falado e pensado, a descolonização, que foi um processo bastante longo e violento. A partir do livro escrito há mais de 50 anos, pelo marxista anticolonialista Frantz Fanon, “A Respeito da Violência” tenta compreender e esclarecer o neocolonialismo que se verifica nos dias de hoje, bem como a violência e as reacções contra este. Este é mais um documentário necessário que denúncia aqueles que foram os momentos mais conturbados das colónias africanas na sua luta pela liberdade.

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