Não sei como começar uma critica a este filme sem ser por dizer que este é, até agora, o melhor filme do ano. Nicolas Winding Refn não podia ter estado melhor com o seu primeiro filme realizado em Hollywood.

Desde finais de Maio, aquando da estreia do filme em Cannes, que eu li algumas opiniões acerca do filme e fiquei com água na boca. O trabalho deste realizador é-me familiar há já alguns anos graças à trilogia “Pusher” e ao inesperado “Bronson”; mesmo o seu último filme, “Valhala Rising”, apesar de não ser o meu favorito conseguiu agradar-me o quanto baste e por isso tinha enorme expectativa em relação ao que o realizador dinamarquês iria fazer, bem como um certo receio que ele cedesse bastante ao estilo cinematográfico da industria americana. Tal não aconteceu e eu rejubilo com isso.

A nível narrativo “Drive” sabe funcionar a uma média velocidade. Não é propriamente um filme para todos os públicos, mas sabe bastante bem gerir o seu andamento à medida que os minutos passam e nunca se torna aborrecido; pelo menos não para aqueles que não necessitam constantemente de ser encharcados de sequências rápidas atrás de sequências rápidas. Os melhores momentos são aliás os momentos mais calmos, os vários suspiros antes das cenas mais intensas e brutais que por vezes surgem de forma tão estranha que fazem o espectador rir de nervosismo. É também um filme que mostra que nem sempre precisamos de muitos diálogos para sabermos tudo o que temos que saber sobre as personagens. E falando em personagens, a forma como Refn pega nos típicos arquétipos de personagem que aparecem em história após história  e lhes dá um tratamento de forma a recria-lhas com um novo charme e uma nova força, tornando-as em algo diferente e fresco é notável. Começando pelo Condutor (Ryan Gosling) um indivíduo bastante silencioso, sempre no limite entre o discreto e o carismático, que nos faz imediatamente pensar no Clint Eastwood na Trilogia dos Dólares; Carey Mulligan dá a Irene, a sua personagem, um charme e um carinho que nos fazem imediatamente gostar dela, aquela típica rapariga da porta ao lado, a frágil mãe solteira que necessita de apoio de uma figura mais forte. E depois temos ainda as personagens secundárias mas fulcrais para o enredo da narrativa: Standard Gabriel (Oscar Isaac) o pai do filho de Irene e criminoso de raia miúda, Shannon (Bryan Cranston) o patrão do Condutor e com ligações à máfia que fazem virar todas as regras do jogo e ainda os dois mafiosos de serviço muito bem interpretados pelos experientes Albert Brooks e Ron Perlman que dão um certo efeito “Goodfellas” a este filme sempre que entram em cena.

A nível visual “Drive” tem certos elementos que nos fazem lembrar o film-noir e ainda uma influência marcada de filmes como “Bullit” e “Point Blank”. As cenas nocturnas de perseguição são fantásticas no que toca ás cores que preenchem a tela da sala do cinema e as cenas governadas pela violência são de uma beleza mórbida que não nos faz permite virar a cara. Claro que não deixa de existir um ou outro momento do filme que deixa um pouco a desejar quando comparado com outros momentos anteriores, mas no cômputo geral “Drive” é o filme mais sólido e com melhor qualidade que vi este ano. Um verdadeiro filme de culto.

Realização: Nicolas Winding Refn

Argumento: Nicolas Winding Refn

Elenco: Bryan Cranston, Ryan Gosling, Oscar Isaac, Carey Mulligan

EUA/2011 – Thriller

Sinopse: Um duplo de cinema especializado em condução, utiliza as suas habilidades ao volante participando em assaltos conduzindo os assaltantes em fuga, mas um dos serviços vai deixá-lo com a cabeça a prémio.

«Drive» - Alguns heróis são reais
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