Christopher Nolan gosta de se exibir neste seu novo filme, que é já tido como um dos melhores do ano e que possivelmente pode chegar aos Óscares. Mas falta em “Dunkirk” um pouco de cinema. Depois de filmes como “Memento” (2000), “A Origem” (2010) e “Interstellar” (2014), este filme de guerra fica longe de cumprir as expectativas. Não é pelo facto de ter filmado em 35mm e 70mm que tornam o filme num acontecimento raro e espectacular nos nossos dias. O realizador tem ao seu dispor bons materiais e gosta de os exibir, o que faz com que “Dunkirk” desiluda muito.

Nolan tenta prestar homenagem aos mais de 300 mil soldados que foram evacuados da praia de Dunquerque, em França, em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial. A narrativa é-nos apresentada na perspectiva de três períodos de tempo diferentes (por terra, pelo ar e pelo mar), sendo que as três narrativas acabam por se cruzar no final. A montagem limita-se a ir alternando os três tempos, sem qualquer aparente coerência entre os tempos a que dedica a cada narrativa. Tenta parecer ‘diferente’ ou ‘inovador’, mas já foi feito (e muito melhor) por outros.

Não há grande humanidade nos seus personagens que simplesmente se movem de uma cena para a outra. Sem drama narrativo e apego às personagens, o drama existe apenas do próprio peso histórico que a batalha de Dunkirk suporta. Existe essa responsabilidade por parte de Nolan, em recriar esse momento dramático das tropas britânicas e francesas que ficaram encurralados na praia, pelas forças alemãs.

Quem não desilude é Hans Zimmer, que continua a ser um dos melhores compositores para cinema da atualidade. Mesmo não sendo este o seu melhor trabalho é uma notável banda sonora que suporta a carga emotiva e sobretudo dramática que o filme não tem. Os chamados ‘silêncios’ são um vazio nas imagens que pouco ou nada transmitem ao espectador. Por muito surpreendente que um filme com poucos diálogos seja, estes são logo substituídos por sons e por um aparato sonoro característico de uma guerra. Cria-se um ‘espectáculo’ sonoro. Há que dizer contudo que o trabalho de som está bem construído, pois consegue recriar a experiência de estarmos naquele lugar a pensar onde nos devemos esconder das balas e bombas.

Nolan foca-se no manejo da câmara, procura o espetáculo e exibe os seus meios técnicos. De pomposo e épico pouco ou nada tem. Aparenta ser, mas está longe de realizar cenas tão épicas como em “A Barreira Invísivel” (1998), “O Resgate do Soldado Ryan” (1998), ou de filmes mais antigos como “A Batalha de Inglaterra” (1969) ou “A Grande Batalha” (1977). Contudo, há algumas cenas que merecem destaque, como as imagens de avião ou algumas da praia que é bombardeada pelos nazis. Claro que “Dunkirk” tem algumas imagens de guerra que são majestosas e elegantes, mas não passa disso, de imagens ‘pomposas’ e de sons ‘épicos’. Nolan acaba por não nos deixar participar realmente naquela terrível batalha, e ‘vivê-la’. “Dunkirk” é um filme pomposo e épico que se afunda logo nos primeiros minutos.

RealizaçãoChristopher Nolan
ArgumentoChristopher Nolan
ElencoFionn WhiteheadDamien BonnardAneurin Barnard
EUA/2017 – Drama/Histórico
Sinopse
: Centenas de milhares de tropas britânicas e aliadas a serem cercadas por tropas inimigas. Encurralados na praia, de costas para o mar, enfrentam uma situação impossível à medida que o inimigo se aproxima.

 

 

«Dunkirk» - Nolan sabe exibir-se, mas falta cinema
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