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Festa do Cinema Francês 2020: 10 filmes para ver

A 21.ª edição da Festa do Cinema Francês, que se realiza entre os dias 8 de outubro e 4 de novembro em quatro cidades (Lisboa, Almada, Coimbra e Porto), reúne um programa com mais de 50 filmes que propõem diferentes olhares sobre a contemporaneidade e a retrospetiva do cinema francófono.

Entre clássicos e antestreias, o grande destaque deste ano será feito na obra da atriz, realizadora, ativista e estrela feminista da nouvelle vague, Delphine Seyrig, em parceria com a Cinemateca Portuguesa. A retrospectiva dedicada a Delphine Seyrig, ícone cinematográfico por mais de 40 anos, percorre o curso essencial da sua carreira como atriz e cineasta, incluindo o filme realizado com Carole Roussopoulos e Ioana Wieder, “Les trois portugaises”, sobre Isabel Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa.

A edição 2020 da Festa do Cinema Francês passa por quatro cidades: Lisboa (8 a 21 de outubro), Porto (26 de outubro a 4 de novembro), Coimbra (21 a 24 de outubro) e Almada (14 a 18 de outubro).

A uma semana da 21.ª edição arrancar, o Cinema Sétima Arte sugere 10 filmes a não perder. Ver programa completo aqui.

De Gaulle, de Gabriel Le Bomin (2019) – Antestreias

Maio 1940. A guerra intensifica-se, o exército francês afunda-se, os alemães estarão muito em breve em Paris. O pânico vence o governo que encara aceitar a derrota. Um homem, Charles de Gaulle, acabado de ser promovido a general, quer alterar o curso da História. A sua mulher, Yvonne de Gaulle, é o seu principal apoio, mas depressa serão separados pelos acontecimentos. Com os três filhos, lança-se pelas estradas do êxodo. Enquanto isso, Charles vai para Londres. Do exílio, ele quer falar ao povo francês com uma outra voz: a da Resistência.

Manual da Boa Esposa, de Martin Provost (2020) – Antestreias

Arrumar a casa e respeitar as obrigações conjugais sem protestar: é isso que Paulette Van Der Beck ensina arduamente na sua escola doméstica. As suas certezas vacilam quando se vê viúva e falida. Será o regresso do seu primeiro amor ou os ventos de liberdade de maio de 1968? E se a esposa exemplar se vier a tornar numa mulher livre?

Miss, de Ruben Alves (2020) – Antestreias

Alex, menino elegante de 9 anos que navega alegremente entre géneros, tem um sonho: um dia ser eleito Miss França. Quinze anos depois, Alex perde os seus pais e a sua autoconfiança, estagnando numa existência de monotonia. Um encontro imprevisto irá despertar o sonho esquecido. Alex decide então concorrer a Miss França, ocultando a sua identidade masculina. Beleza, excelência, companheirismo… Durante as fases do cruel concurso, apoiado por uma família exuberante, Alex parte à conquista do título, da sua feminilidade e, sobretudo, de si próprio…

O Capital no Século XXI, de Justin Pemberton e Thomas Piketty (2019) – Antestreias

Baseado no bestseller internacional do famoso economista Thomas Piketty (que vendeu mais de três milhões de cópias em todo o mundo e colocou Piketty na lista de pessoas mais influentes da Time Magazine), este documentário é uma reveladora jornada pela riqueza e pelo poder, um filme que desmonta o popular pressuposto de que a acumulação de capital acompanha o progresso social, lançando uma nova luz sobre as crescentes desigualdades da actualidade.

O Amanhã é Nosso, de Gilles de Maistre (2019) – Primeira Chance

Estas crianças, vindas de todo o mundo, lutam para defenderem as suas convicções. Chamam-se José, Heena, Aïssatou, Arthur… Com muita determinação, revertem o curso dos acontecimentos: exploração de seres humanos, casamentos forçados, destruição do meio ambiente, pobreza extrema… Neste documentário encontramo-nos com as crianças que combatem por um futuro melhor.

Aznavour por Charles, de Marc di Domenico, Charles Aznavour (2019) – Sessões Especiais

Em 1948, Edith Piaf oferece a sua primeira câmara de filmar a Charles Aznavour: uma Paillard que ele nunca mais irá deixar. Até 1982, Charles irá gravar horas de película que darão corpo ao seu diário filmado Aznavour filma a sua vida e vive-a como a filma. A sua câmara está presente em todo o lado. Ele grava tudo. Os seus momentos de vida, os sítios por onde passa, os amigos, os amores, as agruras. Alguns meses antes da sua morte, inicia com Marc di Domenico a exploração das suas bobinas. Decide então fazer um filme, o seu filme.

Fahim, de Pierre-François Martin-Laval – Sessões Escolares – Cinelíngua Francesa

Baseado numa história verídica, este filme conta-nos a história de Fahim, um rapaz do Bangladesh, o qual, juntamente com o seu pai, é forçado a abandonar o país e a partir para Paris. Quando chega a França encontra diversos obstáculos à obtenção de asilo político e é ameaçado de expulsão. A única salvação desta família é um jogo de xadrez e o dom de Fahim: ele terá de ser o campeão da França.

Retrato da Rapariga em Chamas, de Céline Sciamma (2019) – Segunda Chance

1770. Marianne é pintora e tem de pintar o retrato de casamento de Héloïse, uma jovem que acaba de sair do convento. Héloïse resiste ao seu destino de esposa, recusando posar. Marianne tem de a pintar em segredo. Apresentada como dama de companhia, observa-a todos os dias.

Jeanne DIelman, 23, Quai Du Commerce, 1080 Bruxelles, de Chantal Akerman (1975) – Sessão Delphine Seyrig, Insubmusa

Assente num rigoroso trabalho sobre a duração e a repetição, foi o filme mais decisivo na consagração de Chantal Akerman, e é um título fulcral na filmografia de Delphine Seyrig, que voltaria a trabalhar com a realizadora em GOLDEN EIGHTIES (1985) E LETTERS HOME (1986). JEANNE DIELMAN… é uma observação sistematizada, quase “maníaca”, do dia a dia rotineiro de uma mulher de Bruxelas (Seyrig), com a prostituição a aparecer como um espectro de coloração realista. A dureza formal do filme de Akerman revela-se na sua obsessiva calendarização do tempo e das rotinas. Uma obra única na História do cinema.chantal-akerman-festa-cinema-frances

 

Muriel ou le Temps D’un Retour, de Alain Resnais (1963) – Sessão Delphine Seyrig, Insubmusa

Alain Resnais entregou o papel da jovem viúva Hélène Aughain de MURIEL OU LE TEMPS D’UN RETOUR a Delphine Seyrig (prémio de interpretação no festival de Veneza 1963), com quem já filmara em L’ANNÉE DERNIÈRE À MARIENBAD (1961, a primeira, notável, longa-metragem da atriz) depois de tê-la visto num palco nova-iorquino a representar Ibsen. Seguindo a história da protagonista de 40 anos (bastante mais velha que a à época jovem atriz), num momento de reencontro com o homem que amara na adolescência, e uma segunda linha narrativa centrada no jovem enteado de Hélène, atormentado por lembranças da Guerra da Argélia, Resnais assina um filme de planificação e montagem extremamente elaboradas. Refletindo as feridas do tempo e a obsessão da memória, ou como exprimiu o realizador “a malaise de uma sociedade supostamente feliz”, MURIEL é uma obra avassaladora.

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