No ano em que completa 40 anos de carreira, o Festival de Gramado homenageia um dos mais representativos diretores brasileiros com o Troféu Eduardo Abelin: Jorge Furtado.
O porto-alegrense cruzou os caminhos da medicina, psicologia, jornalismo e artes plásticas, mas quis o destino que se tornasse um dos mais emblemáticos realizadores, guionistas e produtores do audiovisual brasileiro.
Mesclando linguagens documental e ficcional, criou obras sensíveis que trazem dilemas brasileiros em uma linguagem universal, capazes de capturar sensações e perturbações de qualquer espectador.
Carreira
Furtado iniciou a sua carreira profissional na televisão durante a década de 1980. Em 1987, tornou-se um dos fundadores da Casa de Cinema de Porto Alegre, um dos mais destacados centros de produção cinematográfica do país, onde continua a trabalhar até hoje.
Rio Grande do Sul
No grande ecrã, realizou marcos do cinema produzido no Rio Grande do Sul e tornou-se conhecido como realizador de alguns dos melhores curtas do cinema nacional, como “O Dia em que Dorival Encarou a Guarda” (1986), “Barbosa” (1988) e, principalmente, o clássico “Ilha das Flores” (1989).
Com estes filmes, recebeu vários prémios nacionais e internacionais, incluindo no Festival de Berlim. A Associação Brasileira de Críticos de Cinema, Abraccine, classificou “Ilha das Flores” como o melhor curta-metragem brasileiro de todos os tempos.
Anos 2000
Com a virada do milénio, estreia como realizador de longas-metragens em “Houve uma Vez Dois Verões” (2002).
Com seu segundo longa, “O Homem que Copiava” [assista aqui], chega ao grande público, levando mais de 600 mil espectadores aos cinemas. Por esse, recebeu diversos prémios, incluindo o de melhor filme nacional no Grande Prémio do Cinema Brasileiro de 2003.
Furtado marcou carreira com a realização de longas e programas especiais na televisão, que abriram novos caminhos e discussões em torno do audiovisual brasileiro.
Visão da organização
Para Rosa Helena Volk, Presidente da Gramadotur, autarquia municipal responsável pelos eventos da cidade, a homenagem reforça a potência do cinema gaúcho.
“Jorge é um patrimônio do cinema brasileiro e, mais do que isso, um realizador que amadureceu seu trabalho em Gramado. Hoje podemos comemorar os quarenta anos de carreira de um dos maiores nomes do nosso cinema com essa homenagem durante o festival”, diz.
Pós-entrega
Após a entrega do troféu Eduardo Abelin a Jorge Furtado, a programação do Festival de Gramado contará com a estreia mundial da nova produção da Casa de Cinema de Porto Alegre em coprodução com a Globo Filmes, em sessão hors concours. “Virgínia e Adelaide” tem argumento escrito por Furtado, que divide a realização com Yasmin Thayná.
Virgínia e Adelaide
O longa-metragem narra, parte em linguagem ficcional e parte em linguagem documental, o encontro entre duas mulheres emblemáticas: Virgínia Leone Bicudo e Adelaide Koch. Virgínia foi a primeira pessoa a fazer psicanálise e a primeira psicanalista formada no Brasil, além de uma das primeiras professoras universitárias negras. Adelaide, judia e psicanalista formada por um discípulo direto de Freud, veio ao Brasil para escapar do regime nazista na Alemanha. As duas se conheceram em agosto de 1937, em São Paulo, e, juntas, revolucionaram os estudos da psicanálise, abrindo espaço para os que vieram depois.
O elenco é formado pelas atrizes Gabriela Correa e Sophie Charlotte. O filme tem produção de Nora Goulart, direção de fotografia de Lívia Pasqual, direção de arte de Vanessa Rodrigues e Richard Tavares, edição de Giba Assis Brasil e distribuição da H2O Filmes.
A homenagem será entregue no dia 16 de agosto, durante a programação do 52º Festival de Cinema de Gramado, que ocorre entre os dias 09 e 17.

