Festival de Veneza 2022: Brendan Fraser é ovacionado por “The Whale”

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O tão esperado regresso do ator estadunidense Brendan Fraser ao grande ecrã foi marcado por uma recepção de adoração na noite de domingo em Veneza (04/09), que pareceu até pegar o astro da trilogia “A Múmia” (1999-2008) de surpresa. 

Foto: Elisabetta A. Villa/Getty Images

O drama “The Whale”, do inovador Darren Aronofsky – realizador de A Vida Não É um Sonho”, “Cisne Negro” e “Nóe”  já havia sido anunciado como um dos filmes obrigatórios do festival, e conquistou enormemente respostas positivas após sua primeira exibição na imprensa no sábado (03/09), surge como um grande recomeço de carreira para Brendan Fraser. Infelizmente, nos últimos anos, por razões estritamente pessoais, Fraser havia se distanciado da tela grande.

Entretanto, quando perguntado se sua atuação no longa poderia lançar uma espécie de retorno à carreira, Fraser negou.

 

“Eu só estou tentando ficar no hoje”, ele respondeu. “Então, acho que tudo com o que tenho que lidar [agora] é com você mesmo, na maior parte. Obrigado pela calorosa recepção. Estou ansioso para ver como este filme causará uma profunda impressão em todos, tanto quanto causou em mim.”

 

Ele também descreveu seu personagem como uma “luz em um espaço escuro fechado” e alguém com ressonância especial no mundo atual de turbulência e determinação.

Sobre o pós-exibição de “The Whale”, Alex Ritman, do The Hollywood Reporter, relatou que Fraser fez várias reverências e estava segurando as lágrimas enquanto parecia estar abalado e chocado com a reação. O ator parou para dar autógrafos e posar para fotos na escada, e também compartilhou um abraço e uma conversa com Steve Buscemi, que estava sentado algumas fileiras atrás.

A multidão na estreia mundial estava igualmente entusiasmada, dando ao filme estrelado por Fraser uma ruidosa ovação de seis minutos.

 

The Whale

Divulgação

“The Whale” é uma adaptação de uma peça de teatro com o mesmo título de Samuel D. Hunter. O filme começa com Charlie, um instrutor de redação online que nunca liga sua webcam enquanto ensina. Ele dá desculpas e é tão bem-humorado que ninguém parece suspeitar de nada, mas o verdadeiro motivo de sua invisibilidade é sua aparência – ele pesa mais de 272 quilos e não consegue sair de casa.

Sua obesidade começa a representar uma grave ameaça à sua saúde e sua única amiga, Liz (Hong Chau), uma enfermeira, implora para ele se internar em um hospital, mas também reconhece que pode ser mais importante simplesmente oferecer apoio.

O status quo de Charlie é abalado pelo retorno de sua filha adolescente distante, Ellie (Sadie Sink), cuja repentina vontade de retomar um relacionamento com ele parece mais motivada por sua oferta de pagá-la e escrever fantasmas em seus ensaios escolares do que o desejo de uma nova conexão. Enquanto isso, Charlie recebe visitas de um evangelista de porta em porta (Ty Simpkins) que o envolve em um diálogo sobre redenção que, apesar da falta de inclinação religiosa de Charlie, prova surpreendentemente ressonante.

O filme gira em torno da questão da esperança – e se um homem terno que perdeu tudo pode encontrar uma maneira de imbuí-la de volta nas pessoas feridas e cínicas com quem ele mais se importa.

Visão da crítica

A Newsweek.com o observa que o trabalho de destaque de Fraser no filme fez os críticos se apressarem em dizer que ele “provavelmente será indicado ou ganhará um Oscar por sua atuação”. O The Hollywood Reporter concorda entusiasticamente, aclamando a interpretação do ator como “Esmagadora” e “Heroica”, acrescentando que a atuação trágica e profundamente empática de Fraser “nos faz ver além da aparência alarmante para o coração profundamente comovente deste homem quebrado”.

Leila Latif, da IndieWire, classifica o filme como B-, dizendo que Brendan Fraser é a razão pela qual este filme funciona tão bem, pois ele é capaz de oferecer uma performance engraçada e devastadora. “Sem o charme inato de Brendan Fraser e a capacidade de projetar uma tristeza gentil através do menor lampejo de seus enormes olhos azuis, A Baleia não teria muito mais a oferecer. Performances impecáveis ​​de Morton e Chau iluminam relacionamentos complicados com Charlie, um homem ao mesmo tempo adorável, frustrante e desonesto”.

Nicholas Barber, da BBC Culture, se impressionou com a amplitude de expressão que Brendan Fraser transmite. “É raro ver maquiagem protética nessa escala fora de um filme de terror corporal, mas é tão bem feito que o espectador passa a aceitá-lo em poucos minutos. O que é ainda mais impressionante é que, apesar de estar envolto em uma montanha de borracha, Fraser é expressivo o suficiente para derreter seu coração. Há uma agilidade notável em seus movimentos faciais e uma delicadeza comovente em sua voz, mas são seus olhos azuis grandes, suplicantes e esperançosos que tornam difícil imaginar alguém tão cativante no papel”.

Damon Wise, do Deadline, observa que a atuação de Brendan Fraser e a direção de Darren Aronofsky transcendem a maquiagem. “É uma prova do retrato incrivelmente comovente de Fraser de Charlie que os elementos de maquiagem – notavelmente seu cabelo ralo, rosto pastoso e corpo inchado – se tornam quase invisíveis uma vez que o choque inicial de ver Dudley Do-Right em uma forma tão terrível passou. Mas também é uma marca da acuidade de Aronofsky como diretor que Charlie nunca se torna esquisito ou monstruoso…”

Por outro lado, Owen Gleiberman, da Variety, diz que o filme como um todo não é tão forte quanto a atuação de seu ator principal, mas por Brendan Fraser, “The Whale” merece ser visto. “A Baleia, embora tenha um caráter cativante em seu centro, revela-se partes iguais de sinceridade e hokum. O filme nos transporta, prendendo o público à performance intensamente vivida e tocante de Fraser, mas quanto mais ele continua, mais seu drama é entrelaçado com artifícios irritantes, como toda a questão de por que esse pai e filha foram tão separados uns aos outros”.

Por conseguinte, para Jack King, da GQ, “The Whale” ostenta empatia rarefeita, devido em grande parte às nuances que Fraser injeta, aos seus gestos sutis e às suas piadas de partir o coração. Dor, arrependimento e salvação são os temas dominantes e o conhecimento da vida de Brendan Fraser nos últimos vinte anos só aumenta a enorme ressonância.

A jornalista destaca que a recepção enfática é incrivelmente rara, e Fraser merece todos os aplausos e gritos do mundo pelo que ele consegue fazer neste estudo de personagem comovente e profundamente compassivo. O que, segundo ela, pode ser visto como uma demonstração de alívio coletivo quanto o produto de uma catarse.

Por fim, em um editorial publicado na segunda (05/09), a GQ frisa que o novo filme de Aronofsky provou ser divisivo com alguns críticos, tanto por seu conteúdo provocante quanto por seu visual simples, mas possui um fator unificador: ninguém está infeliz ao ver Fraser ter seu merecido momento.

Após Veneza, “The Whale” será exibido no Festival Internacional de Cinema de Toronto antes de seu lançamento nos Estados Unidos em 9 de dezembro. 

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