Festival Política 2022: “Olhem para Cima” e combatam a Desinformação de frente

O “Festival Política” acontece de 21 a 24 de Abril, no Cinema São Jorge, em Lisboa, e a programação conta com várias propostas que vão de filmes, a concertos, debates, performances, espectáculos e conversas.

A organização, com conceito da Associação Isonomia, direcção artística de Bárbara Rosa e Rui Oliveira Marques, e co-produção da EGEAC e da Produtores Associados, convida todos à discussão e consciencialização cívica, individual e colectiva, através de várias formas de expressão política e artística. Rui Oliveira Marques, co-director artístico, refere que “depois de duas edições limitadas pelas contingências da covid-19, programamos quatro dias com 24 actividades presenciais no Cinema São Jorge, onde não faltarão oportunidades para conhecer realizadores, artistas e activistas, participar nos debates e conversas ou falar com um deputado para apresentar uma ideia, proposta ou questão. Retomamos as actividades em simultâneo com as três salas do São Jorge e o foyer ocupadas com o maior festival dedicado à cidadania e participação política do país”.

Quatro dias de debate e combate à “Desinformação”, com o humor de Hugo Van der Ding, a fotografia de Pauliana Valente Pimentel, a estreia do novo documentário de Tiago Pereira dedicado à música cigana, e mais de duas dezenas de propostas de filmes, debates, conversas e cara-a-cara com deputados.

Este ano, com a guerra na Europa como pano de fundo, o tema central do Festival Política é a Desinformação, “enquanto ameaça à democracia, factor de polarização, discriminação e marginalização de grupos populacionais, e elemento que mina a confiança dos cidadãos nos meios de comunicação social e no jornalismo”, refere-nos o festival em comunicado.

Os nossos destaques no âmbito da sétima arte vão para:

Nomeado para o Óscar de melhor filme internacional de 2021, e vencedor do Prémio dos European Film Awards do mesmo ano, “Quo Vadis, Aida?”, de Jasmila Zbanic, é exibido 21 de abril, 21h30, um importante alerta para que não esqueçamos que há 25 anos mais de 8000 homens bósnios foram assassinados e enterrados em valas comuns pelos soldados sérvios, cujo trabalho de limpeza étnica incluiu ainda a violação e a tortura das mulheres que ficaram para trás. (Re)leia a nossa crítica: «“Quo Vadis, Aida?” – O Futuro Sem Névoa».

 

“Flor de Estufa”, de Laís Andrade, que passou pelo Curtas Vila do Conde de 2021 (e já há novidades sobre a edição do festival deste ano), e pelo Olhares do Mediterrâneo do ano passado, sobre a exploração dos imigrantes em Portugal, é exibido a 21 de Abril às 18h30.

Flor de Estufa (2021), Laís Andrade

“Bustagate”, de Welket Bungué, situa-se um ano depois do incidente do Bairro da Jamaica (zona da margem Sul de Lisboa) eis o panorama escandaloso da violência e desigualdade social em Portugal. Um filme-intervenção póstumo à sua personagem imaginária, dedicado aos portugueses. Assista a 23 de abril, às 17h.

 

Alcindo“, de Miguel Dores, sobre a noite de 10 de Junho de 1995 que culminou no assassinato de Alcindo Monteiro, vencedor do prémio Público do DocLisboa do ano passado (o doclisboa que este ano regressa com homenagem colonial), e, mais recentemente, o filme foi o vencedor do Grande Prémio Caminhos do Cinema Português. Exibido 23 de abril, às 17h.

 

Os destaques contemplam propostas desenvolvidas especialmente para esta edição, nomeadamente a estreia de “A música Invisível“, de Tiago Pereira, um documentário que explora a riqueza e a influência da música cigana em Portugal, e no mês em que se assinala o Dia Internacional das Pessoas Ciganas (8 de Abril), a estreia acontece a 23 de abril, às 18h.

Tiago Pereira, mentor de A Música Portuguesa A Gostar Dela Própria

O cinema continua a ser central na programação do Política, com a exibição de 22 filmes. Em destaque estão documentários como “O Teu Nome É“, de Paulo Patrício, a 24 de abril, às 15h30, dedicado ao caso de homicídio de Gisberta Salce Jr, e vencedor do Prémio Casa Comum do Queer Porto 2021.

 

A partir de imagens de um arquivo familiar dos anos 70 e 80 e clips de som de filmes, e depois da passagem pelo Family Film Project no ano passado, “O Ofício da Ilusão”, de Cláudia Varejão, pode ser visto a 24 de abril, às 15h30.

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O Ofício da Ilusão, de Cláudia Varejão

 

Todos os eventos do festival são gratuitos e, de forma a garantir a acessibilidade e inclusão, são também acompanhados por tradução em Língua Gestual Portuguesa. Todas as sessões de cinema são legendadas em português, incluindo as de língua portuguesa. Os bilhetes para cada dia estão disponíveis apenas no próprio dia, na bilheteira do Cinema São Jorge. A inscrição nas actividades online deve ser feita para o email (participa.politica@gmail.com).

Após a edição de Lisboa, o festival ruma a Braga, entre os dias 5 a 7 de Maio.

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