«Frankenweenie» – Um Frankenweenie mais extenso

Depois de “Sombras da Escuridão” (2012) ter estreado no inicio do ano, onde a dupla Burton e Depp se reencontram, chegamos ao final do ano com mais um filme de Tim Burton, “Frankenweenie”. Tim Burton regressa à animação em stop-motion, onde tem-se sentido como um peixe dentro de água, depois do sucesso mundial de “O Estranho Mundo de Jack” (1993), realizado por Henry Selick e produzido por Burton e de “A Noiva Cadáver” (2005), realizado por Burton. O cineasta quis então fazer um remake da sua própria curta-metragem de 1984, “Frankenweenie”, feita para a Walt Disney, que acabaria por despedir o realizador. A prova de que a empresa Disney está mudada e sem preconceitos, ou com menos, é que esta contratou Tim Burton para fazer um filme de animação inspirado nessa curta.

Esta é uma história emocionante sobre um menino, Victor Frankenstien, um geek das ciências que tem como seu único amigo, o seu cão Sparky. Um dia este sofre um acidente e morre. Victor consegue trazer o seu cão de volta à vida, mas não percebe as consequências que isso pode trazer para a sua comunidade.

Tim Burton estica bastante a sua história original para uma duração de 80 minutos, com algumas personagens novas. O filme peca bastante aqui, ao querer encher a história original com personagens secundarias, que pouco ou quase nada acrescentam ao filme. A rejeição de Victor pela morte do seu cão continua eficaz, assim como o medo que as pessoas tem pelo desconhecido. Como o professor de ciências diz, as pessoas são estúpidas por recearem o que não compreendem, e vão buscar os cientistas lá fora para trabalharem nos EUA. A história é praticamente idêntica e o filme contém várias referencias implícitas a clássicos do terror, como “Frankenstein” (1931), “A Noiva de Frankesntein” (1935), “A Família Addams”, e também a filmes de monstros asiáticos, como “Godzilla”, entre outros. É frequente na obra de Burton haver referencias e ao mesmo tempo fazer também uma homenagem ao cinema de série B. No fundo, esta é uma obra que revive todo esse cinema. Há muitas semelhanças com a sua curta de 1984 – quer as personagens e a sua construção, como alguns planos usados na curta, são aqui recriados tal e qual. O preto e branco é também mantido, sendo este um ponto interessante e que destaca o filme dos outros filmes de animação. Não é nada comum as crianças verem filmes de animação a preto e branco. O 3D aqui é completamente inútil.

Tim Burton não precisava de tanto tempo para contar esta história, que a meu ver, em apenas 25 minutos, conta-a muito bem, e de uma forma muito mais emotiva e bonita. Para quem não viu a curta-metragem vai gostar bastante deste filme. Mas quem já viu a curta, provavelmente vai ficar um pouco desiludido.

Tal como “ParaNorman” (2012), uma animação também em stop-motion, que toca em algumas temáticas aqui também abordadas, “Frankenweenie” é uma das melhores animações do ano. “Frankenweenie” é um bom filme familiar, sensível e emotivo, mas não chega ao nível de emoção da sua curta original, que a meu ver é bem melhor.

Realização: Tim Burton

Argumento: Tim Burton

Elenco: Winona Ryder, Michael Keaton, Catherine O’Hara

EUA/2012 – Animação

Sinopse: Contosobre um menino e o seu cão. Depois de perder inesperadamente o seu cão Sparky, o jovem Victor recorre aos poderes da ciência para trazer o seu melhor amigo de volta à vida – com uns pequenos ajustes. Ele tenta esconder a sua criação pessoal, mas quando Sparky sai à rua, os colegas de escola de Victor, os professores e a cidade inteira apercebem-se que ter “uma nova pata no mundo dos vivos” pode ter consequências monstruosas.

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