Já se encontra disponível para consulta a publicação “Cinema | Audiovisual de Portugal 2020”, uma edição do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), que reúne diversa informação sobre a produção cinematográfica e audiovisual de Portugal, bem como dados estatísticos e os principais contactos do setor.

Esta publicação inclui um caderno inteiramente dedicado à produção nacional de 2020, financiada e não financiada pelo ICA, nas categorias de Ficção, Documentário, Audiovisual e Animação, que inclui ainda uma listagem de Próximas obras e de Obras com apoio do incentivo à produção e captação de filmagens em Portugal – Cash Rebate. Tem também um caderno de estatísticas, com dados provisórios sobre o mercado cinematográfico português do ano de 2019 e, ainda, um caderno de contactos de entidades do setor do cinema e do audiovisual.

A publicação dá a conhecer mais de 80 obras (entre ficção, documentário e animação) cinematográficas e audiovisuais portuguesas apoiadas pelo ICA e produzidas em 2019. São cerca de 24 longas-metragens de ficção, 24 curtas-metragens de ficção, 24 longas-metragens de documentário, 6 curtas-metragens de documentário e 6 curtas-metragens de animação.

O capítulo “Próximas Obras” dá a conhecer os filmes que vão ser produzidos durante este e o próximo ano, como por exemplo as seguintes longas de ficção: “As Filhas do Enforcado”, de João Canijo, “I Am An Artist”, de Albert Serra, “Lobo e Cão”, de Claúdia Varejão, “Não Sou Nada”, de Edgar Pêra, “O Teu Rosto Será o Último”, de Luís Filipe Rocha, “O Último Cabalista de Lisboa”, de Bille August, “Os Sertões”, de Miguel Gomes, “Sombras Brancas”, de Fernando Vendrell, “Nervo”, de Leonor Noivo, “Um Príncipe no Quartel”, de João Pedro Rodrigues, “O Pátio do Carrasco”, de André Gil Mata.

Nos documentários encontram-se os futuros projetos de João Rosas com “A Obra e a Cidade”, Manuel Mozos com “Atrás Dessas Paredes”, Susana de Sousa Dias com “Estação Total”, João Pedro Rodrigues com “O Sorriso de Afonso”, Miguel Gonçalves Mendes com “O Sentido da Vida”, Cíntia Gil com “Légion Étrangèe”, João Canijo com “Minho”, Margarida Cardoso com “77” e João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata com “Onde Fica Esta Rua”.

No capítulo “Dados Estatísticos” são confirmados os números já divulgados em janeiro pelo ICA. Em 2019 registaram-se 15.516.707 espectadores nas salas de cinema, gerando uma receita bruta total de 83.114.531,12€. Foram produzidas 77 obras cinematográficas nacionais com o apoio financeiro do ICA (uma a menos do que em 2018), e estrearam 391 longas-metragens (sete a menos do que no ano anterior). A quota do cinema português, no que aos espectadores diz respeito, passou de 2% (em 2018) para 4,5% (em 2019), um dos mais elevados desde 1975, ano a partir do qual o ICA iniciou os registos de exibição. Estrearam nas salas de cinema 47 filmes de produção nacional, 138 longas-metragens de produção europeia (o que representa 12,1% da quota de mercado) e 132 longas-metragens de produção dos EUA (o que representa 74,8% da quota de mercado).

Destacamos alguns filmes com estreia prevista para 2020:

Amadeo, de Vicente Alves do Ó
Produção: 
Ukbar Filmes
Sinopse:
Amadeo Souza‑Cardoso apenas viveu 30 anos, mas a sua vida foi de uma grande intensidade. Viveu muito, viveu em casa dos pais no norte de Portugal, viajou muito, alugou vários ateliers em Paris e conheceu um variado grupo de artistas que marcaram a arte do século XX. Amadeo é um homem de ação, de garra, de vanguarda num período da nossa História marcado por revoluções, clivagens, o velho a combater o novo e ele simboliza esse novo novíssimo que ainda hoje nos inspira.

O Ano da Morte de Ricardo Reis, de João Botelho
Produção:
Alexandre Oliveira (Ar de Filmes)
Sinopse: 
Fernando Pessoa, um dos maiores escritores da língua portuguesa estabeleceu um gigantesco universo paralelo, criando uma série de heterónimos para sobreviver à sua solidão de génio. José Saramago, prémio Nobel da literatura em 1998, escreveu este romance fazendo regressar o heterónimo Ricardo Reis a Portugal, ao fim de 16 anos de exílio no Brasil. 1936 é o ano de todos os perigos, do fascismo de Mussolini, do Nazismo de Hitler, da terrível guerra civil espanhola e do Estado Novo em Portugal, de Salazar. Duas mulheres, Lídia e Marcenda, são as paixões carnais e impossíveis de Ricardo Reis. “Vida e Morte é tudo um”, permite a literatura e o cinema também. O realismo fantástico é a matéria deste filme.

Liberté, de Albert Serra
Produção: Rosa Filmes
Sinopse: 
1774, alguns anos antes da Revolução Francesa, entre Potsdam e Berlim. A Duquesa de Valseley e a Senhora de Dumeval lideram um bando de libertinos rejeitados pela corte francesa após a subida ao trono de Luís XVI. Partem em busca do lendário Duque de Walchen, sedutor e livre-pensador alemão. A sua missão: exportar para a Alemanha a libertinagem, a Filosofia das Luzes fundada na rejeição da moral e da autoridade. A Duquesa de Valseley e o seu bando deparam‑se com a oposição da Abadessa Kladnitssa e suas noviças. Conseguirão resistir às libertinas francesas ou também se deixarão corromper?

Donzela Guerreira, de Marta Pessoas
Produção: Três Vinténs
Sinopse: “Donzela Guerreira” ficciona o Portugal de meados do século XX. A partir da figura de Emília, uma escritora, em Lisboa, no ano de 1959, o filme convoca vultos, lugares, situações, receios e ironias numa aproximação aos universos literários de Maria Judite de Carvalho e Irene Lisboa, escritoras da cidade e das personagens que nela habitam. Guiados pela voz e olhar de Emília, entramos num jogo entre as imagens de arquivo da cidade e a efabulação pura. É uma Lisboa de ruas, jardins e casas onde habitam mulheres que olham para si próprias e umas para as outras, que ocupam os lugares que lhes destinam e o silêncio a que as votam. Por mote, a história de uma donzela que se veste de homem para ir guerrear.

Surdina, de Rodrigo Areias
Produção: Bando à Parte
Sinopse:
Num espaço rural, um velho homem recebe a notícia de que a sua falecida mulher foi vista a fazer compras na feira. Revoltado, pretende esconder‑se de todos, despeitado e triste, mas os seus amigos insistem para que não dê ouvidos ao povo e aproveite tal facto para se fortalecer e, quem sabe, casar‑se de novo. Esta é uma história da delicadeza de se ser velho, do que resta ainda para sonhar e para amar quando a idade avança significativamente e o corpo se enfraquece. Num Portugal antigo e recôndito, que afinal existe, apesar de tudo quanto façamos para nos modernizarmos.

Campo de Sangue, de João Mário Grilo
Produção: APM actions per minute Produções
Sinopse: A personagem de um romance escrito no passado ganha vida no presente para atormentar a autora, revivendo e revisitando com ela a história do crime da pensão da avenida.

Amor Fati, de Cláudia Varejão
Produção: Terratreme Filmes
Sinopse:
“Amor Fati” vai ao encontro de partes que se completam. São retratos de casais, amigos, famílias e animais com os seus donos. Partilham a intimidade dos dias, os hábitos, as crenças, os gostos e alguns traços físicos. A partir dos seus rostos e da coreografia dos gestos descobrimos a história que os enlaça. Assente na vida quotidiana, o filme desenha diante dos nossos olhos um coro de afetos e da memória coletiva de um país.

Distopia, de Tiago Afonso
Produção: Bando à Parte
Sinopse: 
Os três pilares são a comunidade cigana do Bacelo, a população do bairro do Aleixo e os vendedores/compradores da Feira da Vandoma. Ao longo de treze anos, o filme acompanha a mudança no tecido social da cidade do Porto, desde as primeiras notícias em 2007, até às concretizações de 2019/20.

Fordlândia Malaise, de Susana de Sousa Dias
Produção: Ansgar Schaefer
Sinopse: Filme sobre a memória e o presente de Fordlândia, cidade fundada por Henry Ford na floresta amazónica em 1928. Os restos das suas edificações atestam o fracasso deste empreedimento neocolonialista. Atualmente, Fordlândia é um espaço suspenso entre tempos, entre utopia e distopia, entre visibilidade e invisibilidade: construções arquitectónicas de aço, vidro e tijolo permanecem em uso enquanto vestígios da vida indígena não deixaram marcas no solo. Dando voz aos habitantes que reivindicam o direito de escrever a sua própria história ,“Fordlândia Malaise” combina imagens de arquivo e de drone, contos e narrativas, mitos e canções.

No País de Alice, de Rui Simões
Produção: Real Ficção
Sinopse: Com esta viagem, dá‑se início a uma partilha intergeracional: com o Portugal presente como pano de fundo, o realizador e a sua pequena filha deambulam como quem questiona, tentando compreender o país de hoje.

Sério Fernandes – O Mestre da Escola do Porto, de Rui Garrido
Produção: The Stone and The Plot
Sinopse: Há 40 anos, Sério Fernandes era realizador de anúncios televisivos e dono de uma das mais bem‑sucedidas empresas de publicidade em Portugal. É então que decide abandonar tudo para se focar nos seus próprios filmes. Hoje, Sério Fernandes é conhecido como o mestre da escola do Porto.