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ICA não irá apoiar a Midas Filmes

Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA) não irá apoiar a produtora e distribuidora Midas Filmes pela ausência de apenas um documento da candidatura de apoio à distribuição.

A Midas Filmes tornou hoje público um comunicado em que diz estar afastada “do concurso de apoio à distribuição com o objetivo de liquidar a atividade de estreia de filmes da distribuidora.”

O documento em falta é a Declaração Sob Compromisso de Honra, modelo A, que segundo a Midas Filmes, “… o gerente da empresa candidata certifica que não é assassino nem ladrão nem por tal foi condenado, documento que é no meio cinematográfico apenas objeto de chacota e que juristas abalizados consideram, além de imprestável, ilegal. E declaração de que os serviços do ICA possuem anteriores exemplares; e finalmente declaração que não faz parte do dossier do projeto a concurso”.

Segundo o comunicado, o afastamento da candidatura da Midas Filmes é “consequência de uma plataforma informática totalmente incompetente e que tem levado ao regular adiamento de concursos, e sendo famosa no meio cinematográfico pela sua total inadequação”.

O que está em causa é um apoio no valor de 60 mil euros para distribuição, uma pequena parte na nossa atividade de distribuição, mas o suficiente para pura e simplesmente liquidar essa atividade de estreia de filmes por parte da Midas.”

Deste modo, a Midas Filmes fica em maus lençóis para garantir uma distribuição de cinema de qualidade, trabalho que tem feito desde a sua fundação, em 2007. Ao longo destes mais de 10 anos, a Midas estreou “alguns dos filmes e realizadores mais importantes do cinema contemporâneo, num total de 190 filmes (26 dos quais portugueses) e editou em DVD mais de três centenas.”

A exclusão do concurso e a atual situação da pandemia é um passo para “liquidar também o Cinema Ideal, que à beira de assinalar seis anos de vida foi a única sala de cinema de Lisboa (e a primeira no país) que a 1 de junho reabriu depois do confinamento.”

Para este ano, a Midas Filmes tinha ainda agendadas as estreias dos novos filmes do mexicano Carlos Reygadas, dos franceses Arnaud Desplechin, Philippe Garrel e Valerie Donzelli, dos italianos Nanni Moretti, Daniele Luchetti e Gabriele Salvatores, do tailandês Apichatpong Weerasethakul, do japonês Kioshi Kurosawa e do coreano Hong Sang-Soo, documentários do chinês Jia Zhang-Ke e do chileno Patricio Guzmán, do britânico Mark Cousins, entre muitos outros.

“São estes filmes e a atividade de distribuição da Midas que esta decisão dos serviços do ICA – perante a passividade e a complacência do Ministério da Cultura – agora irá liquidar.”