O realizador lituano Jonas Mekas, reconhecido pai do cinema de vanguarda americano, morreu esta quarta-feira, aos 96 anos, revelaram a distribuidora francesa Potemkine e o centro de preservação e estudo de cinema Anthology Film Archives nas redes sociais.

“Jonas faleceu de forma calma e pacífica no início desta manhã. Estava em sua casa na companhia da família. Sentiremos a sua falta, mas a sua luz continuará a brilhar”, divulgou a Anthology Film Archives, sala de exibição que o realizador ajudou a fundar em Nova Iorque, em 1970.

Mekas nasceu e foi criado numa Lituânia rural e passou oito meses preso pelos nazis num campo de trabalhos forçados, durante a Segunda Guerra, e outros dois anos abrigado em diferentes campos de refugiados após o conflito. Quando chegou a Nova Iorque, em 1949, aos 27 anos, encontrou um mundo novo no cinema. Ajudou a catalisar os principais movimentos artísticos revolucionários e posteriormente icónicos da cultura do país, como a geração beat, a pop art e o movimento hippie.

Fundou a revista americana Film Culture, da Cooperativa de Realizadores e do Anthology Film Archives e colaborou com nomes como Andy Warhol, Allen Ginsberg, Yoko Ono e John Lennon, sendo considerado um dos principais impulsionadores da cultura underground nova iorquina.

Realizou filmes como “Walden” (1969), “Scenes from the Life of Andy Warhol” (1990), “Scenes from the Life of George Maciunas (1992), “As I Was Moving Ahead I Saw Brief Glimpses of Beauty” (2000), com quase cinco horas de duração, “Lithuania and the Collapse of the USSR” (2008), uma biografia de sete horas, e “Sleepless Nights Stories” (2011).

Em 2007, Jonas Mekas concluiu uma série de 365 curtas-metragens reveladas diariamente na Internet, numa página oficial onde foi divulgando o seu trabalho visual. Além do cinema, representado em vários museus e coleções, e no ensino artístico, Jonas Mekas deixou ainda literatura em prosa e poesia.

Jonas Mekas esteve em Portugal, em 2009, a convite do festival DocLisboa e foi posteriormente homenageado numa retrospetiva, em 2017, na Fundação Serralves, no Porto, onde António Preto, programador do ciclo, reconheceu Mekas como um autor de “um cinema diarístico, direto e cru que persegue a pureza do amadorismo, muitas vezes assente na improvisação e intimamente ligado às vivências quotidianas, através do qual redefine o estatuto e as funções da arte”.