Leila’s Brothers – Cinema iraniano na corrida à Palma d’Ouro de Cannes

Leila’s Brothers de Saeed Roustayi é um filme que expõe o lado esquecido e à margem da capital iraniana. Cinco irmãos, todos eles desempregados, procuram uma forma de abrir o seu próprio negócio e sair da pobreza extrema em que vivem, mas deparam-se com inúmeros obstáculos, desde a vontade do pai em seguir tradições e conseguir a aprovação da família, à inflação e crise económica causada pelas tensões entre Teerão e Washington durante a administração de Trump. 

Mas no centro de toda esta trama, Leila, a única mulher de cinco irmãos, assume por completo as decisões da família, é ela quem luta pela compra de uma loja num centro comercial de Teerão para que possa tirar do desemprego os seus quatro irmãos. Uma personagem que é visivelmente oprimida enquanto mulher na sociedade iraniana, tem o papel central na trama do filme. Contudo, ela acaba por ser traída pelos seus irmãos, que desejam ver feita a vontade do pai em respeitar a tradição familiar, ao oferecer quarenta moedas de ouro aos familiares que o nomeariam como patriarca da família. Enquanto Leila luta por uma vida melhor, o seu pai, já na fase final de vida, quer o reconhecimento e a aprovação dos primos, que sempre o excluíram devido à sua situação sócio-económica.

Leila em Leila’s Brothers

É impossível ver Leila’s Brothers sem pensar no cinema de Asghar Farhadi, que na edição anterior do festival foi um dos grandes premiados ao receber o Grand Prix com o filme A Hero. Esta obra de Saeed, à semelhança do cinema de Farhadi, é uma narrativa linear, complexa e repleta de momentos de tensão e longos diálogos, a história é clara para o público e somos emergidos numa luta pela subserviência, repleta de momentos emotivos e ao mesmo tempo inesperados. São longas as discussões entre os pais e os irmãos desta família, tais como os momentos de humilhação e desespero a que se submetem para conseguirem uma vida melhor. 

Momentos de tensão, emoção e comédia estão presentes num filme de diálogos bem escritos e interpretações sólidas, que coloca Saeed Roustayi, com apenas trinta e dois anos e pela primeira vez, na competição oficial da septuagésima quinta edição do Festival de Cannes.

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