«Looper – Reflexo Assassino» – Quando o futuro volta para nos assombrar

“Looper – Reflexo Assassino” era um dos filmes mais aguardados do ano e bastantes críticos ficaram rendidos aos seus charmes, chegando mesmo a declarar este filme como o sucessor de “The Matrix”. Após ver o filme posso finalmente compreender o porquê de tanta excitação e facilmente consigo prever que este será mais um dos grandes filmes que ficarão na nossa memória colectiva.

Este é apenas o terceiro filme de Rian Johnson, mas se “Brick” (o seu primeiro filme) é uma obra prima do cinema Indie mascarada de film-noir e “Brothers Bloom” é uma surpreendente mistura entre “heist movie” e “Wes Anderson” (e com isto afirmo  que o próprio realizador é já uma espécie de género cinematográfico à parte) “Looper” é um misto entre ficção-científica, Film-Noir  e um pouco de “The Usual Suspects” com algumas cambalhotas temporais pelo meio. Johnson mistura bem os estilos de forma a criar um filme com uma cinematografia impressionante e uma narrativa inteligente o quanto-baste para não aborrecer nem o mais exigente dos cinéfilos. De forma geral, o filme até acaba por ser bastante diferente daquilo que os trailers prometiam, o que eu considero ser bom, já que o filme está longe de ser aquele filme de acção rápido e imparável mas mais como um filme que se desenvolve a nível mental, colocando perguntas de valor moral/filosófico (mas fugindo ás perguntas sobre as viagens no tempo) e deixando as cenas de acção apenas para os momentos chave. No fundo, o tipo de filme que espera que o espectador tenha inteligência para compreender alguma coisa sem que tenha de receber todas as explicações da forma mais explicita possível.

Sobre a história do filme, Joe é um Looper, um assassino contratado pela máfia e que tem como principal tarefa receber a vitima, mata-lha e livrar-se do corpo, recebendo então como recompensa algumas barras de prata que variam conforme o trabalho. O twist da situação é que enquanto Joe vive em 2044, o seu empregador envia os alvos desde o ano de 2074, altura em que as viagens temporais foram inventadas e onde é muito mais fácil enviar um homem para o passado do que simplesmente mata-lo, pois desta forma não há qualquer tipo de provas do crime. Mas depressa se descobre que a máfia envia também para 2044 os assassinos que trabalham para eles, fazendo com que estes tenham de matar o seu “eu” futuro, fechando assim o seu “ciclo” e eliminando por completo todas as ligações que os mafiosos possam ter a este circuito de assassinatos. Como seria de esperar, por vezes os assassinos como Joe não têm o estômago para matar a sangue frio a sua versão futura, fazendo com que nasça um jogo de “gato e rato” entre a máfia e o assassino em questão. É aqui que tudo se complica e o filme começa a andar para a frente.

Joe (Joseph Gordon-Levitt) o protagonista, é como que um protagonista de um filme Noir atirado contra um cenário sci-fi, o que surpreendentemente até cola bastante bem, mostrando que é mesmo esta a atmosfera onde Rian Johnson se sente bem, já que tinha feito quase o mesmo em “Brick”, onde colocava todo um universo Noir dentro de um liceu norte-americano contemporâneo. Este género de experiências são sempre bem vindas, principalmente quando acompanhadas por uma excelente cinematografia que nos permite viver com intensidade todos os momentos do filme. Depois temos também o intrigante Abe (Jeff Daniels) o líder dos Loopers enviado do futuro e com quem a personagem principal troca o melhor dos diálogos do filme e que envolve uma viagem a França, e ainda a versão futura de Joe (Bruce Willis) que pouco ou nada tem a ver com a sua versão jovem (sendo esta incoerência algo justificado pela própria natureza da(s) personagem(s)) e que acaba por servir como o grande vilão do Joe de 2044, embora não esteja nem de perto nem de longe dentro do habitual arquétipo do vilão. Willis não deixa no entanto de estar muito bem tanto nas cenas de cariz mais emocional como nas excelentes cenas de acção.

No seu geral “Looper” é um filme que tenta trazer ao ecrã um pouco de tudo. Uma experiência cinematográfica que cruza vários tipos de géneros num único novelo, o que a meu ver, é sempre uma experiência bem vinda principalmente quando acompanhadas por uma realização bastante criativa, linhas narrativas bastante sólidas e uma excelente cinematografia que nos permite viver com intensidade todos os momentos do filme. “Looper” é então um filme muito bem conseguido e que acaba por servir como confirmação oficial do talento de Rian Johnson, cujos novos projectos serão agora ainda mais aguardados.

Realização: Rian Johnson

Argumento: Rian Johnson

Elenco: Joseph Gordon-Levitt, Bruce Willis, Emily Blunt

EUA/2012 – Ação/Aventura

Sinopse: Quando a máfia quer eliminar alguém, envia o seu alvo para o passado, 30 anos para trás no tempo, onde um “looper” – um assassino contratado, como Joe– está à sua espera para o liquidar. Joe está a fazer fortuna e a vida corre-lhe bem… até ao dia em que a máfia decide “fechar o ciclo”, enviando-lhe um novo alvo do futuro: ele próprio.

Classificação dos Leitores0 Votes
4.5