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Mockumentary – 7 recomendações para navegar no género

O termo mockumentary surge como a junção de mock (falso) + documentary (documentário), e apesar de já ser usado desde os anos 60, foi popularizado por Rob Reiner quando explicava o seu filme “This is Spinal Tap” (1984). Como o nome indica, são documentários falsos, que se servem das convenções definidas pelo género do documentário para criar no espectador a sensação de veracidade das imagens que são apresentadas. Esta manipulação do real e do ficcional dá azo à apresentação de eventos num tom cómico, género que está presente na grande maioria dos mockumentaries. Quando vemos uma ficção sabemos que é uma representação da realidade, mas ao ver um documentário nunca nos questionamos sobre a verdade daquilo que vemos, e é aqui que residem a potencialidade e beleza deste tipo de obras.

Programas como “War of the Worlds” (1938), um programa de rádio criado e narrado por Orson Welles que relata uma invasão extraterrestre em Nova Iorque, e causou algum receio entre os ouvintes, tendo mesmo saído uma notícia no New York Times acerca do sucedido; e “Swiss Spaghetti Harvest” (1957), uma notícia de 3 minutos que passou na BBC, no dia das mentiras, sobre como plantar esparguete em casa e colhê-la, surgem como alguns dos primeiros exemplos do mockumentary. Curiosamente, a BBC alinhou na piada, tendo dito a milhares de espectadores que ligaram a perguntar como poderiam fazer para crescer esparguete nas suas casas para “colocar esparguete numa lata de molho de tomate e esperar pelo melhor”. Talvez nos dias de hoje seja impensável algo assim acontecer.

Apesar de existirem alguns exemplos do mockumentary antes dos anos 80, foi neste período que o género começou a ganhar popularidade. Por isso mesmo, a lista seguinte apenas contém filmes e séries a partir dessa referência temporal.

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– This is Spinal Tap (1984)

O filme que popularizou o género. Realizado por Rob Reiner e escrito por Christopher Guest e Michael McKean (também atuam como membros da banda), é nos dias de hoje considerado um clássico não só dentro dos mockumentaries, mas no cinema em geral. Um realizador segue os Spinal Tap, uma banda de heavy metal que faz uma tour pelos Estados Unidos, tentando um regresso à ribalta. Apesar de cómico, muitas pessoas tinham ideia de estar a ver um documentário real, incluindo músicos, como é o caso de Ozzy Osbourne (vocalista dos Black Sabbath) ou The Edge (guitarrista dos U2).

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– Drop Dead Gorgeous (Linda de Morrer, 1999)

Seguimos um concurso de beleza numa cidade do Minnesota, que é levado demasiado a sério por algumas concorrentes, o que traz consequências para as participantes e não só. Conta no seu elenco com Kirsten Dunst, Ellen Barkin, Allison Janney ou uma estreante Amy Adams. Cheio de estereótipos, dos quais o filme faz troça e ironiza, “Drop Dead Gorgeous” tornou-se uma obra de culto na comunidade LGBTQ+.

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– Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan (2006)

Um dos filmes mais controversos de tempos recentes, Sacha Baron Cohen assume o papel de Borat Sagdiyev, um jornalista cazaquistanês que vai aos Estados Unidos procurar saber mais sobre aquela nação. Ao ver Pamela Anderson na televisão decide fazer uma viagem desde Nova Iorque até à Califórnia, para se casar com a atriz. Pelo caminho encontra pessoas reais e tem interações reais com elas, o que dá azo a situações hilariantes e caricatas. Para se ter uma ideia, a polícia foi chamada mais de 90 vezes devido à rodagem do filme, e até foi designada uma equipa do FBI para vigiar Sacha, devido a vários relatos sobre “um homem do Médio Oriente a viajar numa carrinha de gelados”.

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– Best In Show (Donos de Estimação, 2000)

Numa lista sobre mockumentaries tem de se incluir o nome de Christopher Guest mais que uma vez. Apesar do britânico ter deixado de fazer filmes deste género em 2005 por “já não os achar engraçados”, é uma das pessoas mais importantes dentro deste tipo de trabalhos. Com Eugene Levy, seu parceiro na maioria dos mocks que realizou, mostra-nos um filme sobre o mundo competitivo dos concursos de cães. Esta obra, como as restantes do género criadas por Guest e Levy, são feitas com diálogos improvisados na hora pelos atores, o que resulta num diálogo mais fluído, natural e cómico.

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– I’m Still Here (2010)

Joaquin Phoenix atua numa versão de si mesmo, ao convencer Hollywood que vai desistir de atuar e dedicar-se à música, seguindo a sua paixão pelo rap. Uma performance que manteve por dois anos, desde 2008, quando anunciou que ia deixar de ser ator, e talvez uma das melhores na carreira de Phoenix, o que quer dizer muito. Realizado por Casey Affleck, “I’m Still Here” explora temas como a relação entre os meios de comunicação social e o público, bem como os efeitos da fama e celebridade.

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– The Office (UK – 2001-2003) 

Muito à semelhança de Spinal Tap, há um antes e depois no que toca a mockumentaries no pequeno ecrã, e tudo começou com The Office, criado por Ricky Gervais (que interpreta David Brent, o protagonista) e Stephen Merchant. Sendo a versão americana a mais popular, e apesar de existirem outras de diferentes países, conhecer-lhe as origens é uma boa ideia. Com o típico humor britânico bem patente, tem apenas 12 episódios e um especial de natal. É uma aposta segura que traz muitos risos sem ser preciso investir meses do nosso tempo para ver todos os episódios.

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– Último a Sair (2011) 

Portugal não tem uma tradição forte no que toca a este tipo de trabalhos, mas “Último a Sair faz com que, ainda hoje, se peça pelo seu regresso à televisão, mesmo sendo agora de conhecimento geral que o programa era ficcional. Uma paródia sobre os reality shows, enganou muitos dos espectadores, que acreditaram na veracidade desta obra criada por Bruno Nogueira, e é um exemplo de que diferentes formatos além do habitual também podem ter sucesso em Portugal.

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