«Moneyball» – A matemática do passatempo americano

Não é por acaso que o baseball é conhecido como “O passatempo americano”; o povo dos Estados Unidos adora o desporto e vive-o com grande excitação, fazendo com que naturalmente, este seja um desporto com bastantes aparições nas produções de Hollywood, principalmente quando aparece aliado ao eternamente adorado conceito de underdog, aquele que parece predestinado à derrota mas que contra tudo e contra todos consegue ir subindo na escada do sucesso. Se a isso adicionar-mos o factor “história verídica”, então temos sucesso. E de certa é isso que “Moneyball” é, só que com com um pouco mais à mistura que dá a este filme o toque de genialidade que já lhe valeu a nomeação a nada menos do que 7 Óscares da academia americana.

O argumento deste filme é o único resultado possível entre a parceria de dois dos mais conceituados argumentistas de Hollywood da actualidade, Aaron Sorkin e Steven Zaillian, que apesar da forte concorrência mostram estar mais que dispostos a levar para casa uma segunda estatueta da academia. Sorkin e Zaillian conseguiram uma bela proeza ao pegar num livro sobre uma revolução de mentalidade dentro dos bastidores de um desporto e transformando-o numa narrativa bastante suave e directa (a fazer lembrar mesmo “A rede Social”, escrito por Sorkin) sobre um homem com um objectivo e sobre tudo o que ele teve que ultrapassar/abdicar para o perseguir. Mesmo aqueles que não se identificam com o Baseball irão certamente conseguir saborear cada momento deste “Moneyball” graças à relação que criamos com as personagens principais ao longo dos primeiros minutos do filme. Brad Pitt mostra que é um dos melhores actores da sua geração e a nomeação ao Oscar não é mais que merecida. Quase o mesmo se pode dizer de Jonah Hill, actor ainda em fase de crescimento mas que vai mostrando aqui e ali que pode desempenhar papeis sérios; é agradável ver como a sua personagem vai evoluindo discretamente ao longo do filme e apesar de um tanto surpreendente, compreende-se a sua nomeação ao Oscar de melhor actor secundário.

Sobre a realização, Bennet Miller soube-se manter dentro dos moldes de “Capote”, a sua anterior/primeira longa-metragem, criando um filme intimista e facilmente envolvente sobre um fenómeno multi-milionário de enormes dimensões. É tambem de notar que Miller consegue o feito de, em duas longas-metragens, ambas serem nomeadas para o Oscar de melhor filme. Não é qualquer realizador que se pode gabar disso. Talvez seja sinal de que podemos esperar dele coisas de grande qualidade nos próximos anos.

Sobre o filme pouco mais há a dizer em sua defesa que não posa ser visto nas salas de cinema.

Realização: Bennet Miller

Argumento: Aaron Sorkin, Steven Zaillian

Elenco: Brad Pitt, Jonah Hill

EUA/2011 – Biografia

Sinopse: A história de Billy Beane, Director-Geral da equipa norte-americana de basebol Oakland Athletics, e da sua bem sucedida tentativa de reunir uma equipa de basebol com um orçamento diminuto, através da utilização da análise computorizada para contratar os jogadores.

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