Morreu este sábado, 27 de julho, Carlos Melo Ferreira, professor, crítico de cinema e um dos grandes estudiosos de cinema em Portugal. Dedicou toda a sua vida ao serviço do cinema. O cinema português fica mais pobre com a sua partida.

Carlos Melo Ferreira nasceu em Lisboa e doutorou-se em Ciências da Comunicação, especialidade de Cinema, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

Foi professor jubilado da Escola Superior Artística do Porto e investigador integrado do Centro de Estudos Arnaldo Araújo (Unidade de I&D da FCT), e foi também docente convidado do Mestrado em Comunicação Audiovisual da Escola Superior de Música e das Artes do Espetáculo do Instituto Politécnico do Porto.

Foi membro da Associação de Investigadores da Imagem em Movimento (AIM). Publicou “O Cinema de Alfred Hitchcock” (1985), “Truffaut e o Cinema” (1991), “As Poéticas do Cinema” (2004) e “Cinema – Uma Arte Impura” (2011) nas Edições Afrontamento, mais “Cruzamentos – Estudos de Arte, Cinema e Arquitectura” (2007), “Corte e Abertura” (2015), “Cinema Clássico Americano: Géneros e Génio em Howard Hawks” (2018) nas Edições 70 e “Pedro Costa” nas Edições Afrontamento (o seu último livro publicado).

Em 2012 criou o blogue Some like it cool, que, em 2017, deu lugar ao seu novo blogue Some like it hot. Desde o lançamento do seu primeiro blogue que Carlos Melo apoiou o Cinema Sétima Arte, tendo em 2017 integrado a equipa de colaboradores do site.

Mesmo reformado da carreira de professor, afastado da Academia, continuou sempre a escrever e adaptou-se ao mundo digital com os seus blogues. O seu último artigo publicado foi dedicado a João Gilberto (1931-2019), cantor, músico e compositor brasileiro. Já as últimas críticas que escreveu foram sobre o filme “A Revolução Silenciosa” e “Rocketman”.

O Cinema Sétima Arte, que lamenta imenso a sua morte, deve muito a Carlos Melo, por todo o apoio e colaboração ao longo dos anos. Defensor da sala de cinema, incentivou sempre os seus alunos à leitura e ao estudo da(s) história(s) do cinema, assim como à escrita da crítica de cinema. O seu trabalho é único e marcou os estudos de cinema em Portugal. Quem o conheceu sabe que o cinema era a sua vida.

O velório terá lugar na Igreja de São João de Deus, Lisboa, na próxima segunda-feira a partir das 18h. Na terça feira, dia 30 de julho, haverá uma missa às 10h seguindo-se o funeral às 11h para o cemitério o Alto de São João, em Lisboa, onde o corpo será cremado.

Até sempre caro professor e amigo!