Morreu Glenda Jackson, atriz vencedora de dois Óscares de Melhor Atriz

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A renomada atriz britânica Glenda Jackson, reconhecida por sua transição da carreira artística para a política, faleceu aos 87 anos em sua residência em Londres, após uma breve doença. A informação foi confirmada por seu agente, Lionel Larner, às agências de notícias.

Em um comunicado, seu agente mencionou que Glenda Jackson, faleceu em paz em sua casa em Blackheath, Londres, com sua família ao seu lado. Ele também destacou que ela havia recentemente concluído as filmagens de “The Great Escaper”, no qual contracenou com Michael Caine.

Após o anúncio de seu falecimento, homenagens foram prestadas em todo o mundo das artes e da política. O parlamentar trabalhista Tulip Siddiq, que sucedeu Jackson, expressou sua tristeza em um tuíte, descrevendo-a como uma política formidável, atriz incrível e mentora que o apoiou imensamente. Ele afirmou que a região de Hampstead e Kilburn sentirá muito a falta de Glenda.

 

A arte de interpretar

Aceitando papéis controversos que muitas atrizes recusavam, Glenda Jackson consolidou sua reputação como alguém disposta a fazer qualquer sacrifício por sua arte. Tal ato teve resultados, ao longo de sua carreira, a ex-aluna da renomada RADA (Royal Academy of Dramatic Art), conquistou dois prémios Óscar, juntamente com Vanessa Redgrave, Judi Dench, Maggie Smith e Helen Mirren, integra o seleto grupo de atrizes com dois prémios da Academia.

O primeiro foi em 1969 pelo filme “Mulheres Apaixonadas”, de Ken Russell e o segundo em 1973 por “Um Toque de Classe”, de Melvin Frank, ambos na categoria de Melhor Atriz.

 

Jackson também recebeu outras duas nomeações na mesma categoria, em 1972 por “Domingo Maldito”, de John Schlesinger e em 1976 por “Hedda”, de Trevor Nunn.

https://www.youtube.com/watch?v=rQzMtV8XCck

 

Além disso, a atriz britânica acumulou 18 nomeações em diferentes premiações, incluindo oito ao Globo de Ouro, três ao Bafta, além de ter ganhado três Emmys, um Tony, um British Independent Film Award e um Broadcasting Press Guild Award.

Um de seus papéis mais marcantes foi na minissérie de televisão “Elizabeth R”, de 1971, na qual interpretou Elizabeth I. Essa interpretação lhe rendeu dois Emmys, um na categoria de Melhor Atriz em Minissérie ou Telefilme e outro na categoria de Melhor Atriz em uma Série Dramática.

 

 

Uma atriz shakespeariana na política  

No cenário político, Glenda Jackson foi eleita deputada em 1992 e posteriormente integrou o governo do ex-primeiro ministro britânico Tony Blair. Ela se destacou como uma defensora dos direitos humanos, especialmente dos direitos das mulheres, e foi uma voz ativa em prol do acesso ao aborto. Quando o Partido Trabalhista assumiu o poder cinco anos depois, Glenda Jackson ocupou o cargo responsável pelo transporte de Londres. Dois anos mais tarde, ela renunciou para concorrer à prefeitura de Londres pelo mesmo partido, porém foi derrotada.

Com inclinações políticas à esquerda, Glenda tornou-se crítica em relação ao projeto “New Labour” de Tony Blair e protestou contra a invasão do Iraque. Em 2005, ela ameaçou concorrer contra Blair pela liderança do partido, caso ele não anunciasse sua intenção de renunciar. Glenda Jackson manteve seu assento nas eleições gerais de 2010, mas em 2015 decidiu não concorrer novamente e retornou à atuação.

 

 

Regresso triunfal

Após 23 anos como legisladora do Partido Trabalhista, ela retomou sua carreira de atriz aos 82 anos, em 2016. Nessa época, recebeu um prémio Tony por sua atuação em “Three Tall Women”, de Edward Albee, e estrelou uma temporada de “King Lear”, de William Shakespeare, na Broadway.

Jackson também recebeu elogios da crítica por sua atuação no telefilme “Elizabeth Is Missing”, que lhe rendeu o prémio Bafta TV Awards e o Emmy Internacional de Melhor Atriz. Esse foi seu primeiro papel na televisão em 27 anos.

 

Sua última aparição no cinema foi em “O domingo das mães”, de Eva Husson, lançado em 2021. No filme, Jackson contracena com os ganhadores do Óscar Olivia Colman e Colin Firth e com os talentosos Emma D’ArcyJosh O’Connor.

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