Morreu este sábado (23 de fevereiro) o lendário realizador e coreógrafo norte-americano Stanley Donen, conhecido pelos clássicos “Serenata à Chuva” (1952) e “Charada” (1963), aos 94 anos, segundo avançou o The Wrap.

Stanley Donen, que recebeu um Óscar Honorário em 1997, foi um dos grandes nomes de Hollywood que ajudou a reinventar o género musical. Nascido em 1924, Donen estreou-se nos estúdios da Metro Goldwyn Mayer (MGM) como coreógrafo e dançarino em “Com Elas Não Se Brinca” (1943), com Lucille Ball, realizado por Edward Buzzell.

Estreou-se na realização com “Um Dia em Nova Iorque” (1949), protagonizado por Gene Kelly, de quem já era muito amigo e com quem iria trabalhar em mais filmes. O filme venceu o Óscar de Melhor Banda Sonora em 1950. Seguiram-se os filmes “Casamento Real” (1951), com Fred Astaire, e “O Melhor é Casar” (1952), com Larry Parks Elizabeth Taylor.

Em 1952, estreia “Serenata à Chuva”, realizado pela dupla Stanley Donen e Gene Kelly, o filme que viria a tornar-se no “rei dos musicais” e que os críticos viriam a incluir frequentemente nas listas dos melhores filmes de sempre. O filme, em tom de homenagem ao cinema e ao género musical, que se foca na passagem do mudo para o sonoro, a transformação mais radical pela qual o cinema passou até hoje, foi coreografado pelos dois. Este musical da MGM é uma sátira às transformações técnicas e artísticas desta fase da história do cinema. O filme reúne uma série de momentos musicais magníficos, como a música Good Morning (com o trio Gene Kelly, Debbie Reynolds e Donald O’Connor),Make ‘Em Laugh (interpretada por Donald O’Connor) ou uma das cenas mais surreais e complexas de todo o filme, aBroadway Melody (interpretada por Gene Kelly e Cyd Charisse). Este é talvez o número musical que mais se distancia de todo o filme, talvez pelo seu lado onírico e moderno, como se entrássemos num sonho dentro do próprio filme. Esta cena, que é bastante longa, apresenta-nos cenários de estúdio com cores quentes e fortes e uma coreografia arrojada e intensa. É sobretudo aqui que vemos o valor técnico e artístico desta obra.

Numa entrevista à Vanity Fair em 2013, Donen disse “o som ainda era algo relativamente novo quando eu entrei no cinema. E a razão pela qual os musicais aconteceram é por causa do som. Podiam inserir música na imagem! Foi assim que tudo começou.”

Seguiram-se filmes como “Casanova Júnior” (1953), “Sete Noivas para Sete Irmãos” (1954), “Dançando nas Nuvens” (1955), “Cinderela em Paris” (1957), “Caminho para Dois” (1967), “Os Sete Desejos” (1967), “Uma Mulher dos Diabos” (1975) e Romance no Rio” (1984, o seu último filme).

Comédia, musical, romance e crime foram os géneros que sempre o moveram no cinema, sobretudo os dois primeiros. Donen trabalhou com grandes nomes do cinema como: Audrey Hepburn, Fred Astaire, Cary Grant, Doris Day, Tab Hunter, Ingrid Bergman, Robert Mitchum, Sophia Loren, Albert Finney, Gene Hackman e Liza Minnelli.

Stanley Donen faz parte da história do cinema pela sua inovação, elegância e visual único que criou nos seus filmes.