Rutger Hauer, que interpretou o replicante Roy Batty no filme Blade Runner(1982), morreu na passada sexta-feira, aos 75 anos, na sua casa na Holanda. Segundo Steve Kenis, o seu agente, o ator não conseguiu resistir a uma “doença súbita”. O funeral realizou-se ontem, na Holanda. O último trabalhou em que participou foi na minissérie televisiva “A Christmas Carol”, que vai estrear em dezembro deste ano.

Nascido a 23 de janeiro de 1944, em Utrecht, Rutger Hauer estreou-se no final dos anos 1960 na série de televisão “Floris”, de Paul Verhoeven, realizador com quem iria trabalhar em anos seguintes, nomeadamente em “Delícias Turcas” (1973), um drama que ganhou o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1973, e “O Soldado da Rainha” (1975). Entrou no círculo de Hollywood nos anos 80, onde se estreou no papel de um terrorista em “Os Falcões da Noite”, um filme de 1981 realizado por Sylvester Stallone.

Foi com o papel do vilão Roy Batty, no filme de culto Blade Runner – Perigo Iminente”, de Ridley Scott, que Rutger Hauer ficou célebre em 1982. Em “Blade Runner”, um clássico noir de ficção científica, Hauer era o replicante Roy Batty, um dos robots humanóides do filme, que trata a existência de alma para lá do biológico.

Uma das sequências finais da longa-metragem tornou-se icónica também graças à hipnótica interpretação de Hauer, a contracenar com Harrison Ford: “Vi coisas que vocês humanos não acreditariam. Naves de ataque em chamas na constelação de Orion. Observei feixes de luz brilhar no escuro perto do Portal de Tannhaüser. Todos esses momentos vão perder-se no tempo, como lágrimas na chuva. Hora de morrer”.

Na mesma década de “Blade Runner”, participou em filmes como A Mulher Falcão (1985), de Richard Donner, Morto ou Vivo (1986), de Gary Sherman, e A Lenda do Santo Bebedor (1988), de Ermanno Olmi. Com Fuga de Sobibor, um telefilme de Jack Gold, de 1987, venceu um Globo de Ouro como ator secundário.

Em 2013, protagonizou “RPG”, longa-metragem portuguesa de ficção científica, realizada por David Rebordão e Tino Navarro. Entre as suas últimas aparições no cinema está a participação em “Os Irmãos Sisters, de Jacques Audiard.

Fora da sétima arte, Rutger Hauer dedicou-se a causas sociais e ambientalistas. Patrocinava a Greenpeace e fundou uma organização sem fins lucrativos de apoio a pessoas infetadas com o vírus da sida, a Starfish Association.