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A Netflix, o maior serviço de televisão por internet do mundo, com mais de 62 milhões de utilizadores, em mais de 50 países, chega a Portugal em outubro. A entrada ocorrerá em simultâneo com Espanha, sendo que é em Lisboa que a empresa irá instalar o centro de suporte para o sul da Europa.

É importante mencionar que este artigo não se trata de publicidade ao serviço da Netflix. Ou melhor é sim publicidade, mas não de alguém que é pago para o fazer mas sim de alguém que é subscritor e fã da marca Netflix e que acredita piamente no seu serviço.

A Netflix está longe de ser uma novidade, mesmo em Portugal. Qualquer pessoa com um serviço de VPN (uma forma de mascarar o IP e mudar a localização virtual do computador) podia aceder a qualquer versão global da Netflix (Este serviço funciona por zonas, como irei explicar mais à frente) mas isso iria envolver um gasto um pouco mais elevado e alguém conhecimento de informática. Essas restrições irão acabar dentro em breve, após Reed hastings, CEO da companhia ter anunciado que Portugal iria ser incluido na rede de locais com acesso a este serviço de streaming.

A grande vantagem deste serviço chega não com o serviço em si mas pela forma como funciona: a televisão por cabo oferece-nos um numero de canais dependente daquilo que estamos dispostos a pagar por mês, sendo que certos canais não estão incluídos nesses preços, sendo que temos que pagar extra para os ter. Depois esses mesmos operadores dão-nos acesso on-demand a uma série de filmes que, por uma quantia extra, podem ser alugados. Não tarda e o consumidor tem uma conta para pagar bastante avultada e ainda tem que levar com publicidade em cima e constantes interrupções durante a visualização dos seus programas de TV e dos filmes que decide ver. A Netflix vem então funcionar de forma diferente. O preço é bastante mais reduzido, não há interrupções, e a pouca publicidade existente refere-se apenas ao conteúdo existente dentro da própria Netflix e nunca passa durante ou entre visualizações e, como ponto principal, o leque de séries, documentários, filmes, especiais de stand-up comedy e ainda o ocasional programa de reality TV é bastante mais alargado do que aquele que temos nos serviços de subscrição por cabo. O preço ainda não foi anunciado oficialmente, mas a assinatura mensal mais barata deverá custar 7,99 euros, em Portugal.

De repente a necessidade de ter uma Box em casa passa a ser mais reduzido, bastando apenas ter acesso à internet, sendo ainda que com boas velocidades de navegação, a aplicação da Netflix embutida nas Smart TVs 4K contem de facto conteúdo 4K. Acabou a publicidade. Acabaram as interrupções. Acabaram os horários. O público vê o que quer, quando quer.

Agora vem o único senão: certas companhias não aceitam vender os direitos de emissão de alguns dos seus shows. “Game of Thrones” por exemplo é daquelas séries que será quase impossível ver na Netflix (a HBO, canal que transmite a série, tem também o seu próprio serviço de stream) e algumas séries como “Friends” ou “Simpsons” são exclusivos para a região americana. O Mesmo vale para os filmes. Eu há mais de dois anos que tenho acesso a este serviço através do Reino Unido, com ocasional acesso à região americana. Alguns filmes estão-me vedados na Netflix UK mas não na Netflix Americana e vice-versa. Existe uma pequena diferença no leque de escolhas mas essa diferença acaba por ser quase insignificante face ao enorme número de títulos pelo qual podemos navegar.

Direitos de emissão variam de país para país e no que a isso toca, será difícil saber o que vamos ter em Portugal antes de o termos, à excepção dos títulos originais, e esses são bons e variados.

A Netflix começou há meia dúzia de anos a produzir não só conteúdo original mas conteúdo original feito por grandes nomes do Cinema. “House of Cards” por exemplo, protagonizado por Kevin Spacey e produzido por David Fincher já ganhou um grande número de prémios, incluindo até alguns Emmys. A Marvel já lançou também dentro deste serviço uma série ligada ao seu Universo Cinematográfico e existem mais 3 séries em pré-produção. “Virunga” e “The Square” são dois dos documentários mais interessantes que vi nos últimos anos, sendo que ambos foram nomeados para os Óscares e ambos criaram grande impacto no público e na critica. Por último fica o último projecto dos Irmãos Wachowski, “Sense8”, uma série muito recentemente estreada que está também já nas bocas do mundo e que me lembrei agora que ainda não comecei a ver. (O tempo não estica.)

É esta a liberdade que eu adoro na Netflix e que eu quero aqui anunciar: A liberdade de poder ver 13 episódios seguidos sem qualquer interrupção da nova série de Tina Fey (“The Unbreakable Kimmy Schmitd”) ou ver “The Babadook”, que não pude ver nos cinemas e que agora está disponível sem qualquer tipo de cobrança extra. Ou então posso sempre rever a cinematografia de Woody Allen, Tarantino, posso rever “The Big Lebowski” ou ver “Nazi Zombies Must Die” caso esteja interessado num pouco de Cinema manhoso de série B. Tudo está ali à distância de um clique.