O cinema nasceu de um sonho, numa vontade incessante de voar mais alto que todos os outros – e que sobretudo, até então, o próprio artista. Através de uma pequena história (em duração, não profundidade) consegue-se imortalizar todas as ideias que jamais pensámos conseguir passar ao universo da arte. Não há limites para todo o delírio articulado que é um filme e, deste modo, a própria celebração da sétima arte.

Robin Williams, o célebre ator protagonista de O Clube dos Poetas Mortos (1989) e de O Bom Rebelde (1997) – através do qual arrecadou o Óscar de Melhor Ator no ano seguinte –, respondeu, numa entrevista dada há uns bons anos, no expoente máximo da sua carreira enquanto ator, a esta pergunta: “Quem me inspira? As pessoas inspiram-me. Observo as pessoas por toda a parte, em diferentes locais. É isso que nos dá novo material. Temos de estar dispostos a observar os comportamentos”.

Neste sentido, Jack Lemmon, um dos mais emblemáticos atores de todos os tempos, vencedor de dois Óscares como Melhor Ator, admitiu, há uns tempos, numa conversa sobre a atualidade do cinema, que antigamente era mais divertido, havia mais descontração e um ambiente mais familiar. Parecia que todos trabalhavam. E havia uma comunidade. Todos trabalhavam diariamente. Os estúdios produziam 30, 40 ou 50 filmes por ano, no mínimo. Como tal, não era assim tão importante se um filme não fosse um êxito”.

Com efeito, Al Pacino, o estupendo protagonista de “O Padrinho” (1972), performance que lhe permitiu arrecadar o Óscar de Melhor Ator do ano seguinte, a respeito da amplitude de uma obra cinematográfica e de todo o seu maravilhoso impacto, salientou:penso que um filme tem uma vitalidade e uma iminência. E alcança um público mais vasto. E através dos seus temas, podemos ir a locais diferentes. E eu gosto disso”.

Por fim, Woody Allen, uma das maiores estrelas (à frente e atrás da câmara) do cinema contemporâneo, conhecido fundamentalmente pelas obras Annie Hall (1977) e mais recentemente Meia-Noite em Paris (2011), vencedor de quatro Óscares na sua carreira, a respeito daquilo que faz nascer um filme, de onde vem a génese da criatividade e delírio artístico, sublinhou: a ideia pode surgir de qualquer parte. Pode ser uma inspiração inesperada, algo que lemos nos jornais ou uma história que me contam. Depois fico em casa ou dou passeios pelo bairro e penso. Essa é a parte mais difícil, a de passar da ideia para o desenvolvimento. Mas quando começo a escrever, é fácil”.

É tudo muito fácil quando fazemos as coisas com o coração, quando nos elevamos e nos permitimos ser nós em todo o momento de criação, de paixão, de imaginação, de emoção. O verdadeiro amor pela sétima arte vem de dentro, ansioso por sucumbir numa obra-prima. A magia do cinema está aí, na imensidão da índole do artista, do protagonista sem medo de dizer o que nunca ninguém disse, sem medo de eternizar o seu sonho.