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«O Fim do Mundo» – um bairro à beira da destruição

“O Fim do Mundo”, segunda longa de ficção do realizador luso-suíço Basil da Cunha, está na Competição Nacional do IndieLisboa 2020. O filme será exibido no Cinema São Jorge no sábado (29), às 18h30, e na quarta-feira (2), às 18h45, e deve entrar no circuito comercial a 17 de Setembro.

Sete anos após “Até Ver a Luz”, Basil da Cunha volta a contar a história de um homem negro marginalizado nascido na Reboleira. Desta vez é Spira (Michael Spencer), um jovem de 18 anos que passou oito deles numa casa de correcção. O bairro de lata nos arredores de Lisboa está à beira da destruição em tantos aspetos que o realizador foi ousado ao condensá-los nos 107 minutos de filme.

Spira regressa quase ao final de uma festa de batismo (sequência que, aliás, lembra um pouco a famosa cena de “O Padrinho”, de 1972) e é recebido pelos amigos de infância Giovani (Marco Joel Fernandes) e Chandi (Alexandre da Costa Fonseca). São todos eles adolescentes irrequietos e excluídos de tal forma da sociedade portuguesa que até seus sonhos eles questionam se valem a pena. Enquanto isso as retroescavadoras derrubam as casas do bairro e pessoas são expulsas sem recurso nenhum. “Reboleira, capital do stress”, diz Giovani sobre essa rotina cheia de dificuldades.

Entretanto, agora como uma espécie de forasteiro, Spira começa a olhar e sentir as coisas de outra forma. Se o cheiro do lixo acumulado nas ruas (pois a Câmara não recolhe há meses) o incomoda, ele vai lá e dá um jeito. Essas atitudes impulsivas do jovem vão levá-lo ao conflito com Kikas (Carlos Fonseca), um traficante mais velho que tenta impor a sua liderança.

“O Fim do Mundo” certamente é um retrato realista de uma juventude que só vemos na imprensa quando são más notícias. Na TV ligada na sala de Spira, por exemplo, os protagonistas das novelas são todos brancos. Basil da Cunha faz esse trabalho de capturar um desaparecimento de comunidades portuguesas de língua crioula cabo-verdiana predominantemente negra. O realizador acaba por inserir bem o espectador numa atmosfera sombria, machista e explosiva em que não há momentos de felicidade.

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