Na semana em que se estreou nas salas de cinema portuguesas, o filme “O Riso e a Faca”, de Pedro Pinho, acaba de ser premiado com o prémio principal da secção competitiva Meeting Point no SEMINCI – Valladolid International Film Festival.
Este é mais um reconhecimento depois dos recentes prémios: Melhor Filme no Festival du Nouveau Cinéma (Canadá) e Melhor Realização no Festival de Cinema de Banguecoque (Tailândia). Já em Cannes, o filme foi exibido na secção Un Certain Regard e valeu a Cleo Diára o Prémio de Melhor Atriz, uma distinção inédita para o cinema português nesta secção.
“O Riso e a Faca” chegou na passada semana a 13 salas de cinema nacionais , no dia 30 de outubro, depois de estrear no Un Certain Regard do Festival de Cannes, e de se encontrar em exibição nas salas em França pelo terceiro mês consecutivo, contando com mais de 30.000 espetadores.
Sérgio Coragem, Cléo Diára e Jonathan Guilherme compõem o elenco deste filme que desafia o público a refletir sobre a relação entre o desejo e o poder, os limites entre o riso e a dor, a violência e a vulnerabilidade, abordando uma das feridas mais expostas do nosso tempo: a fronteira neocolonial.
O espectador acompanha a viagem de Sérgio, um engenheiro ambiental português, até uma metrópole da África Ocidental, Bissau, onde vai trabalhar ao serviço de uma ONG, na construção de uma estrada entre o deserto e a floresta. É ali que se envolve numa relação íntima, mas desequilibrada, com dois habitantes da cidade, Diára e Gui.
No coração do filme está uma estrada em construção e o eternamente violento “encontro” entre a Europa e o resto do mundo. Em contraste com uma batalha furtiva por um devir queer, que se desenha nas discotecas e ruas de Bissau. No interior dessa luta pela superação de identidades, adivinham-se caminhos de fuga, possibilidades de subversão, assume-se a ternura como forma de resistência, afirma o realizador Pedro Pinho.
Com produção de Uma Pedra no Sapato e Terratreme Filmes, esta é a segunda longa-metragem de ficção de Pedro Pinho, que em 2017 apresentou na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes “A Fábrica de Nada“ onde ganhou o prémio FIPRESCI da Crítica Internacional e, posteriormente, outros 20 prémios em festivais de todo o mundo.
“Bulakna”, a primeira longa metragem de Leonor Noivo, estreado em Julho em Festival FID Marseille, onde obteve o Prémio Renaud Victor, ganha o prémio principal da competição Alchemies no SEMINCI: Semana Internacional de Cinema em Valladolid. O filme é uma coprodução entre Terratreme Filmes, Barberousse Films de França com a produtora Los Otros das Filipinas.
Este é um filme sobre as mulheres filipinas que emigraram sozinhas, permanecendo no estrangeiro durante décadas como empregadas domésticas. Como o trabalho vem em primeiro lugar, a suas vidas íntimas ficam em suspenso durante anos, e a solidão vem à tona, tornando-se parte da sua condição. Estas mulheres estão numa situação em que não há espaço para privacidade, num trabalho sem fim, à espera de um futuro distante em que possam finalmente descansar perto das suas famílias.

