O Videoclube do Eduardo – Leslie Vernon é o nome a temer

O videoclube do Eduardo_2

“Behind the Mask: The Rise of Leslie Vernon” (2006)_1

Filme em conversa: “Behind the Mask: The Rise of Leslie Vernon”

Género: Terror/comédia/Falso-Documentário

Ano de estreia: 2006

Realizador: Scott Glosserman

Elenco: Nathan Baesel, Angela Goethals, Scott Wilson, Robert Englund

“Behind the Mask” não estreou com grande alarido em 2006 e até hoje a sua popularidade parece não ter crescido muito, mesmo com críticas positivas e mesmo alguns prémios que foi recebendo desde a sua estreia. Eu próprio só vi o filme há cerca de 3 semanas quando o “redescobri” no meio da minha colecção de filmes – cuja boa parte deles nunca toquei sequer, admito! – e praticamente já nem me lembrava que existia. Mas ainda bem que o vi. Foi pouco menos de hora e meia bem passada a ver este Falso-Documentário sobre um assassino em série ainda em inicio de carreira – o tal Leslie Vernon – que se prepara para a sua primeira matança após anos de treino, de planificação e da criação de uma mitologia que justifique as suas acções. Leslie apresenta-se então a uma equipa de reportagem e oferece-lhes a oportunidade de uma vida: ver um verdadeiro assassino em série preparar todo o conjunto de esquemas, armadilhas, cenários e até mesmo a escolha minuciosa das vitimas.

O filme decorre num universo onde os filmes Slasher são realidade pura e dura e a adoração de Leslie pelos grandes mestres como Vorhees, Myers, Lecter ou krueger reflecte a paixão que os fãs do género de terror têm pelos filmes por eles protagonizados, o que aliado ao seu grande carisma – excelente trabalho do desconhecido ator Nathan Baesel – tornam-no num protagonista bastante empático, mesmo tratando-se de um tipo que está a descrever todas as formas horríveis como planeia torturar e matar um grupo de adolescentes;  o tão bom e velho cliché do terror!

“Behind the Mask: The Rise of Leslie Vernon” (2006)_2
“Esse rapaz está a preparar a sua vingança da cidade que o assassinou. Ele sabe isso, diz ele, porque ele é o herdeiro ao trono de terror outrora ocupado por Vorhees, Myers e Krueger. O nome deste homem é Leslie Vernon.”

O elenco do filme, composto por um grupo de desconhecidos jovens actores, agarra-se ao estilo documentarista da imagem, bem como à caracterização de Leslie – principalmente a sua quase-genial máscara – para disfarçar as suas fragilidades nos momentos em que se pede um pouco mais da sua actuação, mas não é nada que torne o filme mais fraco ou que me cause alguma distracção durante a visualização. O filme ganha também ainda alguns pontos extra com o cameo de Robert Englund  no papel de Doc Halloran, uma espécie de caçador furtivo de assassinos em séries, que Leslie vê como um ponto chave da sua narrativa. – e cameos também da Medium de “Poltergeist” e do velho Hershel de “Walking Dead”.

“Behind the Mask” é, portanto, toda uma experiência “meta” que se desconstrói e se vai explicando, analisando ao mesmo tempo toda uma colecção de filmes que inspiraram o realizador Scott Glosserman na criação deste filme, que serve mais como uma carta de amor ao Terror e a todos os seus sub-géneros do que a uma tentativa de fazer grande cinema. É divertido, cómico e criativo quanto baste para nos manter entretidos sem olhar muitas vezes para o telemóvel durante a visualização. Se vocês se consideram apreciadores de filmes de terror ou da comédia de séries como “The Office” este filme é exactamente para vocês, caso precisem de preencher algumas horas preguiçosas de fim-de-semana ou da madrugada.