O Videoclube do Eduardo – Star Wars – Há muito tempo, numa galáxia (não)especial

 

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Filme em conversa: Star Wars – A trilogia original

Género: Ópera Espacial

Ano de estreia: 1977, 1980, 1983

Realizadores: George Lucas, Irvin Kershner, Richard Marquand

Elenco: Mark Hamill, Harrison Ford, Carrie Fischer, James Earl Jones, Alec Guiness, Anthony Daniels

Para poder estar preparado para o despertar da Força no dia 17 de deste mês comecei a re-visitar todos os filmes da saga Star Wars e, como sempre, o ponto alto ocorreu durante a trilogia original daquela que é a saga mais conhecida e parodiada do Cinema ocidental.

Toda a gente conhece (ou pelo menos devia conhecer) a narrativa dos três primeiros filmes da saga Star Wars; neles, Luke, um jovem agricultor de um planeta distante dá de caras com uma dupla de andróides que pertencem a uma princesa (Leia) líder de uma revolução inter-galáctica, cuja missão está em perigo. Graças a esses andróides ele acaba por conhecer também Obi-Wan Kenobi, um velho monge de uma antiga ordem de guerreiros místicos que revela que Luke tem também o potencial para pertencer a essa ordem. Desse ponto em diante, Luke, Obi-Wan e Leia acabam por, com a ajuda do pirata espacial Han Solo, criar um duro golpe nas forças do mal e virar a guerra a seu favor. A história é a clássica viagem do herói vista e lida em centenas de obras ao longo dos séculos mas no entanto é a magia de ver tudo isto passar-se algures numa galáxia “muito, muito distante”, com sabres de luz e naves espaciais que torna Star Wars A trilogia no que toca ao Cinema.

Mas, com o tempo, essa mesma saga foi evoluindo, nem sempre de forma positiva. Primeiro com novas edições que vieram re-editar os filmes, colocando novas personagens, alterando cenas completas, sobrepondo novos efeitos especiais e mudando mesmo factos marcantes na definição das personagens (Han shot first!) e depois, claro, com o lançamento das prequelas, que vieram provar o que muitos contadores de histórias têm tentado explicar há muito tempo: “menos é mais!” e quanto mais se tentar adicionar e explicar, mais magia e charme se perde. O que antes era algo misterioso e atractivo é agora algo frio, calculado e sem interesse.

É aqui que entram as edições “(não)especiais” de Star Wars.

Não vi nenhuma das inúmeras edições especiais lançadas por Lucas mas sim uma versão não-oficial da trilogia re-editada por Petr Harmy, um paciente e dedicado fã de Star Wars que passou anos sentado em frente a um computador a editar todos os pedaços de video que encontrava, fosse em VHS, Laserdisc ou mesmo 35mm de forma a poder entregar ao grande público aquilo que George Lucas se tem recusado a fazer desde 1997: A trilogia original sem qualquer alteração.

Legenda: Em cima, versão em DVD/Blu-ray. Em baixo: versão não-especial tal como no filme original

Nesta “Star Wars Despecialized Edition” não existem criaturas gigantes claramente desenhadas por cima da imagem original a ocupar os planos. O Han Solo não pisa a cauda do Jabba e volta a disparar primeiro contra Greedo. Os efeitos de som/banda-sonora voltam ás origens bem como as cores, que por algum motivo ou outro forma ganhando tons diferentes ao longo das várias edições modernas.

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Topo esquerdo: Versão final não-especial. inferior direito: a mais recente edição oficial em Blu-ray

Não deixa de ser uma versão não-oficial dos filmes, que não está disponível nas lojas nem muito muito será reconhecida tanto por Lucas como pela Disney num futuro próximo.  É no entanto um excelente complemento para ter em casa, quem nunca viu a primeira trilogia tal e qual ela foi lançada nos cinemas pode agora fazê-lo, em HD. Os fãs, como eu, podem ter aquilo que andaram a pedir durante anos e o restante público ganha uma nova perspectiva; que era a velha perspectiva. No final, acaba na mesma por ser mais uma desculpa para ver novamente “Star Wars” de inicio ao fim.

Como trailer, fica um excerto de um video com as diferenças feitas ao longo dos tempos ao primeiro filme da saga: