Baseado no romance homónimo de Louis Bayard de 2003, “The Pale Blue Eye” em português “Os Olhos de Allan Poe”, segue Augustus Land (Christian Bale), um detetive aposentado, rude e afastado da sociedade, que o exército dos EUA recruta para ajudar a resolver o assassinato brutal de um jovem cadete de West Point. Landor é trazido pelos oficiais que dirigem a academia para resolver o crime e garantir que a boa imagem da academia. Durante a investigação, Landor cruza-se e vê uma promessa no jovem cadete Edgar Allan Poe (Harry Melling), um poeta que oferece livremente o seu conhecimento do caso a Landor.
Talvez o mais frustrante sobre a atmosfera lânguida de “Os Olhos de Allan Poe” seja que o filme frequentemente arranha a grandeza mas… fica sempre um mas em aberto! Uma subtrama que envolve magia negra, por exemplo, é intrigante sem esforço, enquanto o desaparecimento da filha de Landor, Mattie (Hadley Robinson), é um fio envolvente que perdura de forma assustadora ao longo do pano de fundo do filme. Mas talvez a maior provocação em “Os Olhos de Allan Poe” seja a sua configuração, que tem tanto de fascinante quanto qualquer premissa dos filme dos últimos anos: o cadete morto parece ter se enforcado, mas numa segunda análise/autópsia, descobrem que o seu coração foi roubado, arrancado do peito.

O trabalho de câmera de Masanobu Takayanagi é talvez o factor de maior destaque. Desde o início, o filme é surpreendentemente belo e melancolicamente atmosférico enquanto a câmera se move lentamente através das florestas nevadas que margeiam o rio Hudson. Os exteriores do filme são compostos quase inteiramente de tons de azul e todos os tons de preto, cinza e branco imagináveis, enquanto os interiores costumam ser lindamente iluminados por velas com sombras fortes projetadas nos rostos dos atores. Mas… parece que o resto de “Os Olhos de Allan Poe” não combina com esta experiência.
Infelizmente, o filme tropeça em si mesmo e nos momentos finais com uma última reviravolta, que se torna gigante, prejudica o resto do filme e joga com alguns dos lugares comuns mais óbvios e decepcionantes do género cinematográfico do crime. O final não desfaz o facto de que a maior parte do filme funciona, mas termina com uma nota decepcionante em vez de emocionante.

