«Os Piratas» – Um regresso às origens

O estúdio britânico de animação Aardman junta-se aos estúdios Sony Pictures Animation para produzirem em conjunto duas longas-metragens. A primeira foi o filme natalício “Arthur Christmas” (que estreou por cá em dezembro de 2011) e a segunda é uma das mais aguardadas do ano, “Os Piratas”. O que se pode dizer deste novo filme é que é um regresso às origens. Este é o estúdio que criou as míticas personagens em plasticina Wallace e Gromit (que tiveram direito a uma série e a um filme, “Wallace & Gromit: A Maldição do Coelhomem” (2005)) e o filme “A Fuga das Galinhas” (2000).

Realizado por Peter Lord e Jeff Newitt, esta animação feita em plasticina com o uso da técnica stop motion, conta a história de um grupo de piratas, que não tem sorte nenhuma, liderados pelo Pirata Capitão que quer ser lembrado em todos os mares como o pirata mais importante de todos. Para tal decide concorrer ao grande prémio de melhor pirata do ano. Pelo meio de muitas peripécias, o capitão e a sua tripulação, cruzam-se com o cientista Charles Darwin e juntos desafiam a terrível Rainha Vitória. Esta rouba-lhes aquilo que eles mais gostam, uma ave rara, um “dodo” (a Polly). Para a terem de volta, eles vão ter que ganhar coragem e tornarem-se verdadeiros piratas.

Estes são provavelmente os piratas mais malucos que já vi. Não são propriamente os piratas no verdadeiro sentido, ou seja, não são mal educados, nem saqueiam, violam e matam, apesar de eles bem tentarem. São uns piratas que gostam de viver a vida ao máximo, apreciam cada momento com um sorriso, gostam de viajar, de aventuras, são educados e sobretudo gostam muito de presunto.

A ideia de ter um pirata que quer concorrer ao prémio de melhor pirata do ano, pessoalmente conquistou-me de imediato. Porém à medida que a história se vai desenvolvendo, vai-se tornando mais banal, previsível e infantil. No entanto, apesar de o argumento pecar em alguns momentos, acredito que a riqueza desta personagem principal (o capitão) possa ainda ter bagagem para mais um filme. O capitão pirata é sem dúvida a personagem mais divertida do filme; tem algumas semelhanças com Wallace, pois ambos são bastante despistados. E quem é que ajuda o capitão em tantas confusões? É o seu amigo Número 2 (que é comparado com o cão Gromit).

O filme tecnicamente é brilhante (quer fotografia, quer stop motion), pois outra coisa não seria de esperar dos artistas da Aardman, que desde Wallace e Gromit nos tem maravilhado e feito sorrir. Cheio de humor inteligente, bem ao estitlo britânico, o estúdio torna a dar sinais de vida e provas de que não vive apenas na sombra de Wallace e Gromit, podendo ter sucesso com outras personagens novas, como é o caso deste Pirata Capitão.

Com uma interessante banda sonora, composta por Theodore Shapiro, esta animação consegue satirizar personagens históricas e a própria história de Inglaterra. Quanto ao 3D, penso que se saiu muito melhor que muitos outros filmes que se vendem pelo seu “fantástico” 3D. A Aardman conseguiu aqui dar-lhe um bom uso. Dou ainda um especial destaque para a dobragem portuguesa que fez um bom trabalho, como é já costume.

“Os Piratas” pode não ser a melhor animação dos últimos anos, mas consegue entreter e bem. Miudos e graúdos podem passar um bom bocado e a Aardman regressa às suas origens. Esperemos que no futuro os seus filmes mantenham o espírito que vimos nascer em Wallace e Gromit.

Realização: Jeff Newitt, Peter Lord

Argumento: Jeff Newitt, Peter Lord

Elenco: Brendan Gleeson, Brian Blessed, Hugh Grant, Jeremy Piven, Salma Hayek

Reino Unido/2012 – Animação

Sinopse: Com uma tripulação maltrapilha a seu lado, e parecendo não ligar às probabilidades que estão totalmente contra ele, o Capitão tem um sonho: derrotar os seus rivais Black Bellamy e Liz Lâmina e ganhar o muito cobiçado Prémio de Pirata do Ano. Esta é uma aventura que leva os nossos heróis desde a costa da exótica Ilha Sangrenta até às ruas enevoadas de Londres Vitoriana. Ao longo do caminho eles terão de lutar contra uma rainha diabólica e aliar-se a um jovem cientista, mas sem nunca perder de vista aquilo que os piratas mais gostam: aventura!

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