Premiere encerra um sonho

E assim se foi o sonho de termos quatro revistas de cinema em simultâneo. Em 2011 o cinema português viveu o sonho de ter quatro revistas de cinema (ler artigo aqui), mas infelizmente esse sonho desapareceu. Primeiro com a Magazine HD, depois a Total Film Portugal (que foi suspensa em novembro de 2011 – ler artigo aqui) e agora com a Premiere.

 

A revista deixou hoje o seguinte aviso na sua página oficial do facebook: “Grupo Multipublicações deixa de editar Revista Premiere. O Grupo Multipublicações informa todos os leitores que decidiu fechar a Premiere. Termina assim a primeira revista de cinema publicada em Portugal após 39 edições. A decisão é justificada pelo decréscimo de vendas em banca e pela diminuição no número de assinantes. A conjuntura actual do país e a falta de apoios por parte do mercado ao cinema também contribuíram para o encerramento da publicação. A Premiere foi lançada pela primeira vez em Novembro de 1999, com uma tiragem de 17 mil exemplares. Em 2008, o título foi adquirido pelo Grupo Multipublicações e chega agora ao fim com a capa de Dezembro de 2011. Resta-nos agradecer aos leitores por nos terem honrado com a vossa preferência e companhia ao longo destes anos. A todos, o nosso muito obrigado.”.

 

“Morre” assim aquela que foi  durante muitos anos a única revista dedicada ao Cinema em Portugal, que aliás foi assim conhecida como “a única”. Em 2007 esteve quase a ser encerrada, mas lá conseguiu recuperar e foram tentado refazendo a revista para agradar aos leitores, em 2010 a qualidade da revista melhorou consideravelmente, com novos artigos de opinião e novas secções e novos autores. No entanto, a revista como foi durante muitos anos a única no nosso mercado, foi muito críticada e agora por muito que tentem melhorá-la, será complicado fugir à fama que tem. Desta vez parece que fecham definitivamente.

 

Parece que Portugal ainda não tem mercado para tanta revista de cinema. Os apoios e o público português não são suficientes para uma revista, quanto mais para quatro. Voltamos então à estaca zero com apenas uma revista de cinema. Parece uma anedota, mas não é. Portugal fica assim com apenas uma revista de cinema, a Empire, versão portuguesa, que foi lançada em abril de 2011. Esperemos que esta revista, que possui agora o monopólio do mercado, se mantenha por cá por muitos anos.

 

Dificilmente teremos outro ano como 2011, com quatro revistas de cinema nas bancas. Esperemos que a situação não piore e que as outras revistas que estão suspensas, que voltem a ganhar vida, para o bem das suas equipas, dos leitores e do cinema!

 

Para muitos esta notícia pode-lhes passar ao lado, mas a verdade é que a crítica, o debate e a opinião sobre cinema é fundamental para o desenvolvimento de uma industria/arte. Não é por acaso que surgem em 2011 duas novas revistas, pois são o resultado de um bom trabalho que o cinema português tem vindo a desenvolver desde 2000. O cinema português estava prestes a dar o “tal salto” que o cinema espanhol deu há alguns anos.

 

É com alguma mágoa que vejo este sonho utópico desaparecer. Em 2012 poderemos ter mais tristes surpresas como o fim do ICA e da TOBIS. O que será do cinema português em 2013? Só por curiosidade, segundo a História do Cinema Português de 60 em 60 anos não há longas-metragens: 1895 – 1955 (Ano Zero da História do Cinema Português) – 2015 ? .