Foi numa entrevista do FEST – New Directors New Films Festival, entre a jornalista Teresa Vieira e o produtor e presidente da Academia Portuguesa de Cinema, Paulo Trancoso, sobre o estado atual e futuro da indústria cinematográfica, que foi avançada a possibilidade de a 8.ª edição dos Prémios Sophia se realizar em inícios de setembro deste ano.

A Academia pondera fazer em setembro uma edição online da cerimónia dos Sophia, seguindo um pouco a mesma ideia que outras academias de cinema europeias fizeram, como as academias de cinema da Itália e da Ucrânia. A Academia está em constante ligação com a RTP e a ponderar um modelo misto, entre o online e com pessoas a assistir fisicamente, provavelmente no Casino Estoril.

“Supondo que em setembro já há eventos até 200 pessoas, há uma parte de pessoas na sala e outras seriam chamadas online”, referiu Trancoso. Ou seja, nem todas as categorias estariam presentes fisicamente. Trancoso refere, no entanto, que com o modelo online perde-se muito do público, do calor das pessoas.

“Mas é muito difícil ainda de tomar uma decisão em relação a isto, porque, neste momento, ainda estamos a tentar desconfinar e não sabemos como é que as coisas vão evoluir”, conclui Trancoso. No entanto, a Academia Portuguesa de Cinema não se pronunciou ainda oficialmente sobre a data exacta da 8.ª edição dos Prémios Sophia.

Recorde-se que a cerimónia de entrega dos Prémios Sophia 2020 estava agendada para o dia 22 de março, tendo sido adiada devido à epidemia de COVID-19 em Portugal, “em prol da saúde pública”. Consulte aqui os filmes nomeados.

Paulo Trancoso, que cumpre atualmente o seu terceiro mandato, falou ainda do programa Passaporte (que foi adiado para finais de setembro), das produções de filmes portugueses que foram canceladas, assim como do lançamento de DVD da Academia, das campanhas de apoio ao cinema português que podem ser retomadas em breve e do inquérito que a Academia lançou em abril para perceber o impacto da Covid-19 no setor do cinema e de audiovisual.

O presidente da Academia demonstrou ainda preocupação com o setor do cinema, com muitos profissionais a passarem grandes dificuldades, devido à precariedade na área da cultura, assim como do futuro das salas de cinema em Portugal, referindo que estas precisam de se reiventar, inovando a experiência de ir a uma sala de cinema.

Esta entrevista insere-se num conjunto de cinco entrevistas sobre “A Nova Realidade da Indústria Cinematográfica depois da pandemia COVID-19 – O Estado Atual e Futuro da Indústria do Cinema no Contexto Nacional”, que o FEST organizou e que está a disponibilizar na sua página de Facebook até dia 25 de maio. Os cinco entrevistados são: Luis Chaby Vaz (Presidente do ICA), Paulo Trancoso (Presidente da Academia Portuguesa de Cinema), Maria João Mayer (Produtora), Rodrigo Areias (Realizador e Produtor) e Leandro Vaz da Silva (operador de câmara).

A entrevista completa a Paulo Trancoso pode ser vista aqui: