“Princesa Mononoke” (1997) foi um dos maiores sucessos de bilheteira de sempre no Japão, tornou-se no primeiro filme de animação a receber o prémio de melhor filme da Academia Japonesa e é tida como uma das obras-primas do mestre Hayao Miayazki, um dos fundadores dos Estúdios Ghibli.

Em “Princesa Mononoke”, gráfica e criativamente, Miyazaki atinge um patamar superior, único. Este é um dos filmes mais brilhantes e magníficos de Miyazaki. Um drama de época com elementos de fantasia que conseguiu ser um grande sucesso de bilheteira em todo o mundo e muito bem recebido pela crítica.

Uma história épica, passado no Japão, na era Muromachi (de 1337 a 1573), num tempo em que os Homens conviviam com animais selvagens e deuses. O jovem guerreiro Ashitaka, apanhado num conflito entre os homens e os deuses da floresta, conhece a princesa Mononoke, uma rapariga que foi adotada e criada por uma tribo de deuses-lobo, e a única personagem que está do lado dos deuses-animais. Mononoke tem um ódio tão grande pelos humanos que querem destruir a floresta dos deuses, que ela acaba por se esquecer de sua própria humanidade. O objetivo de Ashitaka é o de encontrar a paz entre o Homem e os deuses da floresta, que são ajudados por Mononoke.

As criaturas que falam, os deuses da floresta, os lugares mágicos e os espíritos demonstram a enorme criatividade e capacidade de fazer sonhar da Ghibli. Temas como o humanismo, ecologia, mitologia e redenção são tratados nesta obra que se tornou num filme de culto da animação mundial. A fusão entre o homem e a natureza é um tema abundantemente recorrente na obra de Miyazaki. O jovem Ashitaka apresenta-se como uma personagem neutra, um herói que tenta unir e apaziguar o lado dos humanos, liderado por Lady Eboshi e o lado da natureza, defendido por Mononoke.

Com um dos visuais mais encantadores da Ghibli, lembrando por vezes o género western, esta maravilhosa narrativa contem mensagens de paz entre o Homem e a mãe natureza, sendo também uma forte crítica à sociedade atual (com os seus problemas ecológicos). O realizador expõe os dois lados, o dos humanos e o da natureza. A natureza reclama, apela a um pedido de ajuda contra a sua destruição, ou seja, contra a expansão industrial do Homem. Quando este dizima os seus recursos naturais sofre as consequências (a vingança da natureza). Apercebemo-nos de que o inimigo do Homem não é a natureza, mas ele próprio.

É um filme espantoso, que contém muita violência e sangue, tornando-o ainda mais real, apesar de todo a componente fantasiosa e lírica que Miyazaki cria nos seus filmes.

A banda sonora, de Joe Hisaishi, é deslumbrante, reforçando o lado épico e nobre do filme. São igualmente notáveis o traço do desenho, as cores e a montagem.

Quatro anos depois de Mononoke, Miyazaki, viria a realizar outra das suas mais aclamadas obras-primas, “A Viagem de Chihiro” (2001). “Princesa Mononoke” é um manifesto ecológico, com uma clara mensagem de paz, que transpira poesia ilustrada.

Realização: Hayao Miyazaki
Argumento: Hayao Miyazaki
Elenco: Yôji Matsuda, Yuriko Ishida, Yûko Tanaka
Japão/1997 – Animação
Sinopse: No tempo em que os deuses viviam na Terra e entendiam a linguagem dos homens, trava-se a batalha entre a espécie humana e os espíritos da floresta. O destino do mundo depende da coragem de uma princesa destemida e de um bravo guerreiro.

«Princesa Mononoke» - Um manifesto ecológico
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