Arranca hoje a 23.ª edição do Queer Lisboa – Festival Internacional de Cinema Queer, com um total de 101 filmes de 36 países, e com variadas atividades paralelas, numa edição que “pretende pensar as conquistas políticas e sociais que foram acontecendo nos vários cantos do globo e o que significou, e significa ainda, o ativismo para a cultura queer.”

A sessão de abertura acontece hoje às 21h com a exibição de “Indianara” (2019), de Aude Chevalier-Beaumel e Marcelo Barbosa. “Estreado na secção independente ACID na 72.ª edição do Festival de Cannes, o documentário segue o impressionante percurso de luta e resistência (do impeachment de Dilma e presidência de Temer, à eleição de Bolsonaro, passando pelo assassinato de Marielle Franco) da ativista transgénero Indianare Siqueira, uma mulher para quem o engajamento é sobretudo uma questão de amor, amizade e solidariedade. Um compromisso que tem na ideia de comunidade (trans, pobre e maioritariamente negra) e nas fragilidades a que a mesma está sujeita no Brasil atual, a sua força maior. Um documentário imersivo e cru, mas também extremamente comovente que, partindo de um microcosmos comunitário, apura tudo o que há de fundamental no cenário de opressão e luta política e social do Brasil de hoje.”

Focada na luta dos direitos LGBTI+ e nas conquistas já alcançadas até hoje, a edição deste ano assinala os 50 anos dos Motins de Stonewall e os 20 anos da Marcha do Orgulho LGBTI+ de Lisboa. O Queer Lisboa dedica ainda uma secção Panorama do Festival Internacional de Cinema de Berlim, por ocasião do seu 40.º aniversário. Intitulado “Berlinale Panorama 40“, o ciclo propõe “um olhar a alguns dos filmes que fizeram o percurso de uma das mais ousadas e inspiradoras montras de cinema não alinhado (incluindo o cinema queer) na Europa.”

No programa há ainda oportunidade para ver os filmes escolhidos pela realizadora Cláudia Varejão, no âmbito da proposta de curadoria que a Agência da Curta Metragem fez este ano a vários realizadores e artistas portugueses, por ocasião do seu 20.º aniversário. Agência 20 Anos: Carta-Branca a Cláudia Varejão apresenta uma sessão de filmes realizados ou corealizados por mulheres portuguesas em que a curiosidade investigativa se faz diálogo com o território e a paisagem natural. Do programa fazem parte filmes de Salomé Lamas, Renata Sancho Joana Pimenta.

Também foi anunciada a antestreia nacional de “Golpe de Sol” (2019), o mais recente filme do realizador português Vicente Alves do Ó. Depois dos biopics “Florbela” e “Al Berto”, Alves do Ó conta agora uma história com quatro protagonistas que, à volta de uma piscina numa casa isolada no campo, esperam em sobressalto uma quinta personagem. Um chamber drama que narra a chegada iminente do misterioso homem, ex-amante comum aos quatro amigos, exacerbando as emoções de cada um, ao ameaçar revelar todas as verdades escondidas.

Fonte: Queer Lisboa