O Queer Lisboa – Festival Internacional de Cinema Queer já revelou algumas novidades para a sua 22.ª edição que irá decorrer de 20 a 28 de setembro, no Cinema São Jorge e na Cinemateca Portuguesa.

O filme de abertura da edição deste ano será “Indianara” (2019), de Aude Chevalier-Beaumel e Marcelo Barbosa, a exibir na noite de 20 de setembro. “Estreado na secção independente ACID na 72.ª edição do Festival de Cannes, o documentário segue o impressionante percurso de luta e resistência (do impeachment de Dilma e presidência de Temer, à eleição de Bolsonaro, passando pelo assassinato de Marielle Franco) da ativista transgénero Indianare Siqueira, uma mulher para quem o engajamento é sobretudo uma questão de amor, amizade e solidariedade. Um compromisso que tem na ideia de comunidade (trans, pobre e maioritariamente negra) e nas fragilidades a que a mesma está sujeita no Brasil atual, a sua força maior. Um documentário imersivo e cru, mas também extremamente comovente que, partindo de um microcosmos comunitário, apura tudo o que há de fundamental no cenário de opressão e luta política e social do Brasil de hoje.”

O Queer Lisboa anunciou também que se irá associar às comemorações dos vinte anos da Marcha do Orgulho LGBTI+ de Lisboa, que teve a sua primeira edição no ano 2000. No dia 21 de setembro, o Queer Lisboa e a Marcha vão ter uma conversa à volta dos “Novos Populismos” e do impacto cada vez mais devastador que estes têm nas vidas das populações LGBTI+ em todo o mundo. “Esta é uma conversa urgente num momento em que movimentos populistas de extrema direita crescem vertiginosamente, em particular no contexto europeu, assombrando as conquistas que estas mesmas comunidades foram, ao longo de décadas, conseguindo reclamar. O evento é seguido da inauguração de uma mostra fotográfica dedicada aos 20 anos da Marcha do Orgulho LGBTI+ de Lisboa, que irá estar patente no Cinema São Jorge no decorrer de todo o Festival.”

O festival vai ter um ciclo retrospetivo da secção Panorama do Festival Internacional de Cinema de Berlim, por ocasião do seu 40.º aniversário. Intitulado “Berlinale Panorama 40“, o ciclo propõe “um olhar a alguns dos filmes que fizeram o percurso de uma das mais ousadas e inspiradoras montras de cinema não alinhado (incluindo o cinema queer) na Europa.”

Também foi anunciada a antestreia nacional de “Golpe de Sol” (2019), o mais recente filme do realizador português Vicente Alves do Ó. Depois dos biopics “Florbela” e “Al Berto”, Alves do Ó conta agora uma história com quatro protagonistas que, à volta de uma piscina numa casa isolada no campo, esperam em sobressalto uma quinta personagem. Um chamber drama que narra a chegada iminente do misterioso homem, ex-amante comum aos quatro amigos, exacerbando as emoções de cada um, ao ameaçar revelar todas as verdades escondidas.

A programação completa, atividades paralelas, júris e convidados oficiais, são anunciados em conferência de imprensa no dia 10 de setembro.

FILME DE ABERTURA
Indianara, Aude Chevalier-Beaumel, Marcelo Barbosa (Brasil, 2019, 84′)

BERLINALE PANORAMA 40
Longas-metragens
100 Days before the Command / Sto dnei do prikaza, Hussein Erkenov (USSR, 1990, 67′)
Daddy and the Muscle Academy, Ilppo Pohjola (Finlândia, 1991, 55′)
My Life as a Dog / Mitt liv som lund, Lasse Hallström (Suécia, 1985, 101′)
Rebels of the Neon God / Ching shao nien na cha, Tsai Ming-Liang (Taiwan, 1992, 106′)
Self-Portrait in 23 Rounds: a Chapter in David Wojnarowicz’s Life, 1989-1991, Marion Scemama (França, 2018, 78′)
Split – William to Chrysis; Portrait of a Drag Queen, Ellen Fisher Turk, Andrew Weeks (EUA, 1992, 58′)

Curtas-metragens
The Attendant, Isaac Julien (Reino Unido, 1993, 8′)
Blue Diary, Jenni Olson (EUA, 1997, 6′)
Max, Monika Treut (Alemanha, 1992, 27′)
Jean Genet is Dead, Constantine Giannaris (Reino Unido, 1987, 33′)
The Sound of Fast Relief / Das Geräusch Rascher Erlösung, Wieland Speck (Alemanha, 1982, 28′)

QUEER FOCUS: ECOSEX
Water Makes Us Wet: an Ecosexual Adventure, Beth Stephens, Annie Sprinkle (EUA, 2018, 80′)
Ecosex, a User’s Manual, Isabelle Carlier (França, EUA, 2018, 75′)

ANTESTREIA NACIONAL
Golpe de Sol, Vicente Alves do Ó (Portugal, 2019, 85′)

Fonte: Queer Lisboa