Queer Lisboa 2021: os vencedores, numa edição com mais espectadores em salas

Teve lugar, neste dia 25 de Setembro, a Sessão de Encerramento do Festival de Cinema Queer Lisboa 25, na Sala Manoel de Oliveira do Cinema São Jorge, onde foram anunciados os prémios da Competição de Longas-Metragens, Competição de Documentários, Competição de Curtas-Metragens, Competição In My Shorts – que distingue o Melhor Filme de Escola Europeia – e Competição Queer Art.

Apesar de perdurarem as restrições devido à pandemia de Covid-19, o levantamento de algumas destas medidas restritivas permitiu ao festival receber mais de 40 convidadxs, uma expressiva parte dxs quais internacionais, vindos do Egito, Argentina, Suécia, Brasil, Espanha, França, entre outros países; o que nos permitiu celebrar de novo a dinâmica do nosso festival de cinema, que assenta numa forte ideia de comunidade.

Em relação à sua edição anterior, e apesar de se ter mantido para esta edição a mesma restrição de um máximo de 50% de ocupação de sala, o Queer Lisboa 25 teve um acréscimo acima dos 25% de espectadores em relação à edição anterior, rondando os 5.000 espectadores nas sessões e actividades paralelas do Cinema São Jorge e da Cinemateca Portuguesa.

O Queer Lisboa, 26.ª edição, está já confirmado, para as datas de 16 a 24 de setembro de 2022.

 

PALMARÉS QUEER LISBOA 25

COMPETIÇÃO LONGAS-METRAGENS

Júri: Fátima Ribeiro (Argumentista, Realizadora), Jenny Larrue (Performer, Atriz) e Manuel Moreira (Ator)

Melhor filme: “Minyan”, de Eric Steel (EUA, 2020, 118’)

“Minyan é um objeto complexo e ao mesmo tempo um exercício prodigioso de subtileza e coerência, que discorre sobre as diversas formas de pertença e identificação. A estreia de Eric Steel nas longas-metragens de ficção é certeira e elegante e a performance contida de Samuel H Levine transporta-nos para um lugar de profunda empatia e comoção”.

Menção Especial: “Até o Fim”, de Glenda Nicácio e Ary Rosa (Brasil, 2020, 94’) 

“Sob uma aparente simplicidade técnica e partindo de uma estrutura narrativa mais teatral que cinematográfica, “Até o Fim” experimenta um retrato íntimo e sincero sobre a solidão, o desencontro e a superação de quatro mulheres negras marcadas pelo abuso, pela homofobia, transfobia e machismo. É um documento tocante e uma reflexão sincera”.

Prémio do Público: “La Nave del Olvido”, Nicol Ruiz (Chile, 2020, 72’)

COMPETIÇÃO DOCUMENTÁRIOS

Júri: Ana Aresta (Presidente da ILGA Portugal), Manuela Silva Reis (Jornalista, Produtora) e Miguel Ribeiro (Codiretor do DocLisboa)

Melhor filme: “Las Flores de la Noche”, Eduardo Esquivel e Omar Robles (México, 2020, 85’)

“As construções sociais estão intrinsecamente ligadas às geografias políticas, económicas e às conceções sobre ser-se e viver-se enquanto pessoa LGBTI. De Mezcala ao Queer Lisboa, o documentário “Las Flores de la Noche” transporta-nos para uma realidade fascinante na estética e dura na constatação do quotidiano, enquanto nos recorda a força de transformação individual e comunitária que reside nos corpos, nas nossas identidades, nos nossos desígnios de liberdade”.

Menção Especial: “Sedimentos”, Adrián Silvestre (Espanha, 2021, 89’)

“Num gesto que se instala pela via da proximidade, o íntimo e o político revelam-se. “Sedimentos” é um filme que nos traz as disputas que antecedem a construção do discurso que alavanca a luta que é urgente e permanente. Tocou-nos encontrar este registo num espaço que é tão terno quanto real catalisador de utopias”.

Prémio do Público: “Limiar”, Coraci Ruiz (Brasil, 2020, 73’)

COMPETIÇÃO QUEER ART

Júri: Dani d’Emilia (Artista, Educadore Transfeminista) e Tomás Baltazar (Realizador, Montador, Programador)

Melhor filme: “Vaga Carne”, Ricardo Alves Jr., Grace Passô (Brasil, 2019, 45’)

“Um filme que nos convoca a uma experiência visceral de forças incorpóreas que co-movem as possibilidades de relação através e para além do re-conhecimento. Um delicado exercício de transposição performativa de uma peça de teatro para uma obra cinematográfica, na qual todos os elementos da sua realização contribuem para que seja visível e sensível o esforço que é preciso fazermos para que algo além do entendimento racional seja reconhecível pela experiência humana, tão pautada tanto pela potência quanto pelas limitações da matéria-corpo, da visualidade e da linguagem”.

COMPETIÇÃO CURTAS-METRAGENS

Júri: Ricardo Branco (Realizador), Cleo Diára (Atriz) e Teresa Vieira (Jornalista, Crítica de Cinema)

Melhor filme: “Fou de bassan”, Yann Gonzalez (França, 2021, 4’)

“Pela mise en scène sedutora de um labirinto de encontros fugazes, que estabelece um novo olhar, rompendo com os arquétipos do expectável e reescrevendo, assim, a história do cinema”.

Menção Especial: “Hi, Sweety.”, Celeste Prezioso (Argentina, 2020, 30’)

“Pelo acto de amor da realizadora com a sua personagem e pela forma como contou a sua história, convidando-nos a entrar num espaço íntimo de partilha”.

Prémio do Público: “Dustin, Naïla Guiguet” (France, 2020, 20’)

COMPETIÇÃO IN MY SHORTS DE CURTAS-METRAGENS DE ESCOLA EUROPEIAS

Júri: Ricardo Branco (Realizador), Cleo Diára (Atriz) e Teresa Vieira (Jornalista, Crítica de Cinema)

Melhor filme: “Scum Mutation”, Ov (França, 2020, 10’)

“Um manifesto urgente com um dispositivo cénico ousado e disruptivo que não tem medo de tomar uma posição e que implanta uma ideia de revolução através da viagem imagética e sonora que nos propõe, abrancando-nos e atiçando-nos ao mesmo tempo”.

Menção Especial: “Jo”, Ann Sophie Wieder (França, 2020, 30’)

“Por encontrar um filme num testemunho tão valioso de um protagonista que recorre ao gesto fílmico como uma forma de sobrevivência”.

Skip to content