Queer Lisboa e Queer Porto 2025: novos títulos e secções temáticas

Queer Lisboa – Festival Internacional de Cinema Queer e Queer Porto 2025 Morte e Vida Madalena Guto Parente Queer Lisboa – Festival Internacional de Cinema Queer e Queer Porto 2025 Morte e Vida Madalena Guto Parente

O Queer Lisboa – Festival Internacional de Cinema Queer, está de volta ao Cinema São Jorge e Cinemateca Portuguesa, para a sua 29.ª edição, entre os dias 19 e 27 de setembro. O Queer Porto tem lugar de 4 a 8 de novembro.

“Plainclothes”, de Carmen Emmi, protagonizado por Russell Tovey e Tom Blyth, será o Filme de Abertura do Queer Lisboa 29, enquanto as honras de Encerramento vão para “Between Goodbyes”, comovente documentário de Jota Mun.

São também anunciadas as duas Sessões Especiais do festival: “Vivre, mourir, renaître”, de Gaël Morel, numa exibição dedicada à memória de Pedro Silvério Marques, ativista na área do VIH, falecido em março último; e “Morte e Vida Madalena”, de Guto Parente, uma coprodução brasileira com a portuguesa C.R.I.M.

Ainda, na secção Panorama, a longa-metragem britânica “Pillion”, de Harry Lighton, chegada diretamente da última edição do Festival de Cannes (onde conquistou o Prémio de Melhor Guião na secção Un Certain Regard).

A secção Panorama deste ano desvela um conjunto de títulos, a que se junta agora “Pilion”, que celebram figuras como as de Camila Sosa Villada, Ney Matogrosso, Venus Xtravaganza, Peter Hujar, Sally Gearhart ou Alexina B., e outros que traçam contextos políticos passados, mas também presentes, com a perigosa ascensão da extrema-direita no mundo ocidental.

Queer Porto anuncia Duas Vezes João Liberada, de Paula Tomás Marques, como Filme de Abertura. Feito quase sem apoios, é um filme imbuído de um forte sentido de comunidade, trazendo a si um conjunto de artistas e performers trans, como June João (também co-argumentista), André Tecedeiro, Jenny Larrue, Alice Azevedo, Caio Amado, Eloísa d’Ascensão ou Tiago Aires Lêdo, que oferecem uma poderosa dimensão identitária e de auto ficção a uma obra que é já um marco no cinema português.

Com curadoria de Ana David, programadora do Queer Lisboa, e Caio Amado Soares, realizador e artista visual cujo trabalho se centra em experiências trans e queer, o Queer Focus deste ano em Lisboa é dedicado a um cinema trans que se tem vindo a afirmar nos últimos anos pela crescente multiplicidade de histórias que propõe e, em alguma medida, pela moderada visibilidade de quem as realiza.

Partindo da premissa simples de considerar apenas filmes realizados por pessoas trans, o foco apresenta duas longas-metragens e um programa de curtas, abrindo lugar a múltiplas expressões provenientes de um lugar de afirmação. Na sessão de abertura terá lugar uma conversa com os cineastas participantes Ian Kaler, Paula Tomás Marques, Pol Merchan e Theo Jean Cuthand, moderada pelos curadores Ana David e Caio Amado Soares.

Está de regresso, a Lisboa e ao Porto, o programa Resistência Queer, que o ano passado cruzou ambos os festivais, sobre um cinema de resistência em territórios política e socialmente conturbados.

O atual panorama de crescimento das extremas-direitas nas democracias ocidentais, além do retrocesso que significa para os direitos conquistados de comunidades minoritárias, tornou de enorme relevância trazer a Resistência Queer ao estatuto de secção; para dar a conhecer estes cinemas, bem como palco de denúncia e consciencialização.

O programa que o ano passado cruzou as edições do Queer Lisboa e do Queer Porto sobre um cinema de resistência em territórios política e socialmente conturbados, está de regresso aos dois festivais deste ano, com um conjunto de novos títulos.

Destaque para a sessão dedicada à Palestina, de entrada gratuita, com o programa de curtas “No Pride in Genocide” (com curadoria do coletivo Queer Cinema for Palestine), e para a longa metragem iraniana “The Crowd”.

A partir de dia 20 de setembro, na Cinemateca Portuguesa, o Queer apresenta uma justa homenagem ao cineasta francês Lionel Soukaz, ativista e figura central e pioneira do movimento LGBTQIA+ em França.

A retrospetiva, composta pelo seu trabalho no formato da curta e média metragem, é organizada à volta de um conjunto de linhas estéticas, temáticas e narrativas, mas sobretudo autobiográficas, elemento central e estruturante da obra de Soukaz.