Rita Lee: Conheça o legado da cantora através de 4 documentários

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Na segunda-feira (8), aos 75 anos de idade, faleceu Rita Lee, uma das mais renomadas cantoras e compositoras da história da música brasileira. Ela vinha lutando contra o câncer de pulmão desde 2021 e fazendo tratamentos para combater a doença.

A família da cantora emitiu um comunicado através das redes sociais de Rita Lee informando que ela faleceu em sua residência, localizada na cidade de São Paulo, no final da noite de ontem, rodeada pelo amor de seus entes queridos, conforme sempre desejou. O velório, aberto ao público, será realizado no Planetário do Parque Ibirapuera, na quarta-feira (10), das 10h às 17h.

Lee contribuiu significativamente para a introdução da revolução do rock no contexto da explosão criativa do tropicalismo. Ela fundou a banda brasileira de rock mais reverenciada no mundo, Os Mutantes, e compôs canções em sua carreira solo que tiveram um grande apelo popular, sem nunca perder sua liberdade e irreverência. A formação da banda consistia no baixista e vocalista Arnaldo Baptista, no guitarrista e vocalista Sérgio Dias, no baterista Dinho Leme e no baixista Liminha. Ao longo dos 12 anos de trajetória, eles lançaram nove álbuns. Destacam-se entre os mais populares “A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado” (1970) e “Jardim Elétrico” (1971).

Depois de sair do grupo Os Mutantes, a carreira de Rita Lee decolou com o grupo Tutti Frutti, com o qual ela gravou cinco álbuns, incluindo o aclamado “Fruto Proibido” de 1975, que contém a música “Agora só falta você”. A partir de 1979, ela se consolidou como artista solo ao trabalhar com seu marido, Roberto de Carvalho.

 

Rita Lee escreveu e gravou canções de pop-rock que foram muito bem-sucedidas, com um dos álbuns mais populares sendo “Rita Lee” de 1979, que incluiu hits como “Mania de Você”, “Chega Mais” e “Doce Vampiro”. No álbum homônimo do ano seguinte, ela continuou no caminho pop e teve ainda mais sucesso com canções como “Lança Perfume” e “Baila Comigo”.

 

Antes e depois do rock se tornar um fenômeno comercial no Brasil na metade dos anos 80, Rita Lee se destacou como uma das roqueiras mais populares. Alguns de seus álbuns mais notáveis incluem “Saúde” (1981) e “Rita e Roberto” (1985), que ela apresentou com Roberto de Carvalho no primeiro Rock in Rio.

Ao longo de seus quase 60 anos de carreira, Rita sempre foi uma figura moderna e uma referência de criatividade e independência feminina. Embora muitos a tenham apelidado de “rainha do rock brasileiro”, ela achava esse título um tanto ultrapassado, preferindo ser chamada de “padroeira da liberdade”.

Além de sua ampla e variada carreira musical, teve uma presença notável na televisão brasileira. Ela desempenhou papéis em filmes como “Dias Melhores Virão”, “Tanta Estrela por Aí…” – pelo qual recebeu um prémio no Festival de Cinema em Gramado e “Durval Discos”.

 

A artista também apareceu em novelas como “Top Model”, de Walther Negrão e Antônio Calmon e “Vamp”, de Antônio Calmon e foi apresentadora do programa “TVLeezão” na MTV, além de ser membro do elenco do programa “Saia Justa”, da GNT.

Lee também demonstrou suas habilidades como escritora, com a publicação de livros infantis, incluindo “Dr. Alex – Quem Canta Conta”, “Dr. Alex e os Reis de Angra” e “Dr. Alex na Amazônia”. Em 2016, ela lançou uma autobiografia em que narra desde seus primeiros passos na carreira musical até desafios familiares, acompanhada por fotos inéditas.

Celebrando o incrível legado de Rita Lee como uma das mais icônicas artistas brasileiras de todos os tempos, a equipa do Cinema Sétima Arte preparou uma seleção especial de documentários que celebram sua vida e sua obra.

 

“Tropicália” (2012), de Marcelo Machado

Tropicália é um documentário brasileiro de 2012 realizado por Marcelo Machado, que oferece uma visão aprofundada do importante movimento cultural e musical dos anos 60, a Tropicália. O documentário traça a história desse movimento que revolucionou a música brasileira e influenciou a cultura brasileira de forma mais ampla, enquanto o país enfrentava a repressão e censura da ditadura militar.

O filme apresenta entrevistas com os principais protagonistas da Tropicália, incluindo Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé e Gal Costa, além de outros artistas e pensadores que participaram desse momento de transformação na música brasileira, como Rita Lee – Ao unir a psicodelia aos ritmos locais, os Mutantes foram fundamentais no movimento tropicalista. O documentário também apresenta uma riqueza de material de arquivo, incluindo apresentações ao vivo, gravações de estúdio e clipes musicais.

Ao longo do filme, o público é levado em uma jornada que explora a diversidade cultural do Brasil, a criatividade e ousadia dos artistas envolvidos no movimento e o impacto duradouro da Tropicália na música e na cultura brasileira. O documentário destaca como a Tropicália continuou a inspirar novos artistas brasileiros e a influenciar a música global até os dias de hoje.

 

“Mutantes: O Documentário” (2006)

“Mutantes: O Documentário” é uma obra televisiva exibida em 2006 pela TV Cultura, que se dedica a examinar minuciosamente a história da lendária banda de rock psicodélico brasileira dos anos 60 e 70, Os Mutantes. A produção destaca a presença marcante de Rita Lee, uma das fundadoras da banda e que teve um papel fundamental na concepção de sua sonoridade inovadora e experimental.

O documentário conta com depoimentos valiosos de membros da banda, como Arnaldo Baptista e Sérgio Dias, além de outras personalidades influentes da cena musical brasileira, que ajudam a contextualizar o impacto dos Mutantes na música brasileira e internacional. Por meio de imagens de arquivo, performances memoráveis e entrevistas esclarecedoras, o documentário oferece uma visão abrangente e cativante do legado dos Mutantes, que ainda ressoa na cultura musical até os dias atuais.

 

“Rita Lee – Ovelha Negra” (2007), de Roberto de Oliveira

“Rita Lee – Ovelha Negra” é um documentário lançado em 2007 que explora a vida e a carreira da icônica cantora brasileira Rita Lee. O filme apresenta uma visão detalhada da vida da artista, desde sua infância em São Paulo até o auge de sua carreira musical e além.

O documentário traz depoimentos da própria Rita Lee, bem como de seus familiares, amigos e colegas de trabalho, incluindo o seu marido e parceiro musical, Roberto de Carvalho. Os entrevistados falam sobre a personalidade marcante e irreverente da cantora, sua influência na música brasileira e as diversas fases de sua carreira.

Ainda, o documentário inclui cenas de shows da cantora, mostrando algumas das performances mais emblemáticas de Rita Lee em diferentes momentos de sua carreira. As músicas são cantadas na íntegra, proporcionando uma experiência única para os fãs da cantora.

O filme também destaca os desafios enfrentados por Rita Lee ao longo de sua carreira, incluindo o sexismo na indústria musical e a pressão da mídia e do público. Mas, apesar de todas as dificuldades, a cantora nunca deixou de ser autêntica e fiel a si mesma, tornando-se uma verdadeira inspiração para gerações de mulheres na música brasileira.

 

“Democracia em Preto e Branco” (2014), de Pedro Asbeg

O documentário “Democracia em Preto e Branco”, exibido pela ESPN em 2014 e narrado por Rita Lee (corintiana nata), apresenta a história do emblemático movimento que sacudiu o futebol brasileiro no início dos anos 80: a Democracia Corinthiana. Liderada por ícones do esporte como Sócrates, Wladimir, Casagrande e Zenon, a iniciativa se tornou um fenômeno cultural que ultrapassou as fronteiras do esporte.

Realizado por Pedro Asbeg, o filme mostra como as atitudes dos jogadores do Corinthians na época, tanto dentro quanto fora de campo, impactaram significativamente na redemocratização do Brasil, ao questionar o regime militar que governava o país na época.

A Democracia Corinthiana se tornou um símbolo de resistência e luta pela liberdade de expressão, representando uma importante contribuição para o processo de democratização do país.

Fora isso, o documentário destaca a influência da música na cultura brasileira durante esse período, incluindo o rock nacional, que ajudou a amplificar as vozes de resistência e a inspirar mudanças sociais. A narração de Rita Lee, uma das mais importantes figuras do rock brasileiro, acrescenta um elemento adicional de relevância cultural e histórica ao filme.

 

Bônus:

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