A Década de 40 – A recuperação depois da queda e a marcha dos elefantes cor de rosa.

O filme que escolho como o melhor  na década de 40 é o incontornável “Dumbo”. Numa tentativa de sacudir de cima o fracasso de bilheteira que foi o “Fantasia” (e mesmo até “Pinóquio” ) a Disney lança “Dumbo” de forma a amenizar os prejuízos da empresa. E o certo é que conseguiram! Com o orçamento mais baixo de todos os filmes que a Disney já lançou para os cinemas, este festival de 65 minutos tem tudo o que é preciso para se ter sucesso: a personagem principal fofinha e rejeitada pelos outros (Jumbo jr , o nosso Dumbo) o amigalhaço engraçado e esperto (Timoteo) os personagens ocasionais que arrebatam tudo com uma canção memorável (Os corvos) a cena completamente surreal e psicadélica dos elefantes cor de rosa, e por ultimo, mas não menos importante, a cena capaz de levar a lágrima ao canto de qualquer olho que visse o filme! (quem não se sentiu emocionado quando Dumbo vai visitar a mãe presa numa jaula?)

 

“Dumbo” é o equivalente da vida real ao cavaleiro de armadura branca que aparece sempre para salvar a situação nos contos de fadas. Ok, admito que talvez esteja a exagerar, contudo este não é um filme capaz de passar ao lado. Feito como já referi, com um orçamento bastante reduzido, o elefantinho de orelhas grandes teve mais sucesso do que “Fantasia” e “Pinochio” juntos, o que permitiu á Disney voltar a pôr-se de pé e recomeçar a sua cavalgada vitoriosa na animação. Mas estes são apenas os motivos “técnicos” que me levam a eleger o filme como o numero 1 da década de 40. Mas não são os únicos.

 

A história do Filme é a principal atracção do mesmo.

Ora aqui está para mim uma ideia vencedora. Ao contrário da “Branca de Neve…” saído anos antes para os cinemas, ou outros filmes posteriores, a personagem principal deste filme não precisa de nenhum príncipe valente que o salve ou de nenhum acto de magia que faça tudo ficar bem. Dumbo é apenas um elefante recém-nascido que não só é gozado por ser diferente como ainda se vê privado da protecção da mãe. E basicamente é o pequeno paquiderme que, sozinho, ou melhor, com a companhia do rato Timóteo (uma clara brincadeira com a ideia de que ratose e lefantes não se dão bem) tem que se desenrascar e encontrar a sua posição dentro do meio onde vive. Eventualmente tudo acaba bem e o motivo pelo qual ele era gozado passa a ser motivo que o torna tão especial, já que as suas enormes asas permitem que ele consiga voar e tornar-se a estrela do circo. Enquanto criança, foi esta a razão do porquê de eu gostar tanto deste filme e o ver vezes sem conta.

 

Por ultimo, na grande lista de momentos inesquecíveis de “Dumbo” fica a sequência surreal da marcha dos elefantes cor de rosa. Anos antes do movimento hippie e do rock psicadélico, anos antes das experiências de Aldous Huxley com a mescalina, alguém dentro dos estúdios da Disney se lembrou que o que ficava mesmo bem num filme familiar seria uma sequência de cerca de quatro minutos e meio onde um rato falante e um rato bebé se embebedavam e começavam a alucinar com elefantes de todas as formas, cores e feitios a dançar e a cantar ao som de um ritmo de marcha e mesmo de valsa. Um momento que tem tanto de especial como de estranho,e mesmo um pouco assustador, contudo, inesquecível!

 

E é assim, de forma mais ou menos curta que explico o porquê da minha colocação do “Dumbo” como o melhor filme Disney da década de 40. E apesar de ter sido uma escolha relativamente fácil e quase imediata não deixa de me deixar pena deixar de fora filmes como “Fantasia”“Saludos Amigos”,  o eterno “Bambi” (a cena da morte da mãe do pequeno veado ainda hoje a traumatizar muitas crianças) ou mesmo o “Pinóquio”.

 

A este ultimo aliás faço uma pequena “menção honrosa”. “Pinóquio”, apesar de não ter tido um desempenho de bilheteira brilhante, conseguiu dois Óscares e conseguiu com o tempo tornar-se num dos favoritos do público e enraizar-se bem na cultura popular em muitos países. A história de Pinóquio é usada para embutir nas crianças os valores do trabalho e da honestidade, e a figura do grilo falante tornou-se a representação icónica da consciência. Poucos filmes se podem orgulhar disso.