«Sniper Americano» – Propaganda americana assumida

De uma forma muito direta, Clint Eastwood não faz um grande filme desde “Gran Torino” (2008). Depois do aborrecido “Jersey Boys” (2014), o realizador faz o impensável. “Sniper Americano” é o pior filme da carreira de Clint Eastwood.

Este filme é baseado na autobiografia do SEAL Chris Kyle (Bradley Cooper), um sniper de elite que serviu por quatro vezes no Iraque e tem um histórico militar de 160 mortes confirmadas, o que lhe valeu o cognome de “A Lenda”. Chris Kyle morreu em Fevereiro de 2013, assassinado por um veterano de guerra num campo de tiro, no Texas.

É uma visão americana sobre a guerra do Iraque, onde o único lado que importa mostrar é o lado dos invasores. O filme revela-se uma grande propaganda americana, que glorifica os SEAL’s, o exército americano e funciona quase como que um filme de recrutamento de jovens para o exército. Os americanos homenageiam um herói de guerra que era Sniper. Clint Eastwood esquece-se que os americanos foram os invasores e passa uma imagem de que eles foram os salvadores de um povo “selvagem”, como se os EUA fossem os guardiões da liberdade e pudessem atuar num país que eles considerem que a liberdade está a ser posta em causa, segundo os seus parâmetros claro.

Nunca se pôs em causa o lado patriótico e conservador de Clint Eastwood, pois isso sempre foi assumido na sua carreira, em filmes como “Imperdoável” (1992), “Flags of Our Fathers – As Bandeiras dos Nossos Pais” (2006) e “J.Edgar” (2011). Não se entende é como que um realizador que já fez obras como “Cartas de Iwo Jima” (2006), “Gran Torino” (2008) e “Invictus” (2009), onde os protagonistas são humanizados e tornados heróis com todas as suas qualidades e defeitos, nos apresenta agora uma tentativa de humanizar Chris Kyle como um “herói” de guerra, como um modelo a seguir para um país inteiro. Mas este filme já foi feito por Kathryn Bigelow, “Estado de Guerra” (2008), sendo francamente melhor.

No fundo o filme glorifica um assassino. Como se fosse um extraordinário feito matar 160 homens. Não surpreende por isso que esteja nomeado a 6 Óscares, pois é disto que os membros da Academia gostam, a ala mais conservadora.

Apesar de tudo, vive bem como um filme de entretenimento, para quem gosta de filmes de ação e guerra. Boa edição, bom som, bons cenários e boa interpretação do ator Bradley Cooper.

“Sniper Americano” assemelha-se a alguns filmes de propaganda nazi.

Realização: Clint Eastwood

Argumento: Jason Hall

Elenco: Bradley Cooper, Brian Hallisay, Jake McDorman, Kyle Gallner, Luke Grimes, Sienna Miller

EUA/2014 – Ação/Aventura

Sinopse: Chris Kyle, Comando Naval de Operações Especiais da Marinha dos Estados Unidos (SEAL), é enviado para o Iraque com uma única missão: proteger os seus irmãos de armas. A sua precisão singular salva inúmeras vidas no cenário de guerra, e à medida que as suas histórias de coragem se espalham, ele passou a ser conhecido como a “Lenda”. No entanto, a sua reputação, começa também a ganhar nome atrás da linha do inimigo, que coloca a sua cabeça a prémio, fazendo dele um alvo primário dos insurgentes. Em casa, ele enfrenta um outro tipo de batalha: a luta por ser um bom marido e um bom pai mesmo quando está do outro lado do mundo. Apesar do perigo e da tensão no lar, Chris serve quatro pesadas missões no Iraque, personificando o espírito dos SEAL “nunca deixar um homem para trás”. Mas depois de regressar para a sua família e mulher Taya, apercebe-se de que é a guerra que ele não consegue deixar para trás.

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