“A Teoria de Tudo” é mais uma biografia de um grande ser humano que é retratada no cinema e que cai no erro comum de se parecer a um tele-filme. No entanto, ao contrário do que geralmente acontece, este não é lamechas, é um filme correcto.

Escrito por Anthony McCarten, inspirado no livro “Travelling to Infinity: My Life with Stephen”, de Jane Wilde Hawking (a primeira mulher de Stephen William Hawking), acompanha a história de amor entre Jane e Stephen, desde que começaram a namorar na faculdade, altura em que é diagnosticado em Stephen esclerose lateral amiotrófica, uma doença incurável e degenerativa que leva à perda permanente de movimento muscular, até à altura em que a relação dos dois termina, seguindo cada um o seu caminho.

Um filme dramático sobre o amor, a partilha e a capacidade de superação de obstáculos que a vida nos impõe quando menos estamos à espera, foca-se mais num Stephen Hawking doente, do que num Hawking físico brilhante. Compreende-se que seja talvez esse o aspecto mais importante a reter dele, pois é sem dúvida o lado menos conhecido, a sua vivência com a doença. E o que este filme tem de valor é que dá tanta importância ao sofrimento de Stephen como ao sofrimento Jane, estão ao mesmo nível. O que faz com que este não seja um filme apenas sobre uma das mentes mais brilhantes do século XX e XXI, mas também sobre Jane, onde seguimos a luta interior de uma mulher corajosa que tratou do marido durante três décadas.

A atuação de Eddie Redmayne como Stephen Hawking é soberba, forte e emocionante.  O espectador acredita naquela personagem, emociona-se e sofre com ela. Redmayne merece vencer o Óscar de Melhor Ator. Assim como a interpretação de Felicity Jones é digna da nomeação justa que recebeu para o Óscar de Melhor Atriz.

Comum acontecer neste género de filmes, biopic, é a narrativa em vários momentos arrastar-se desnecessariamente. O filme peca ainda por não aproveitar bem o elenco secundário, que é de luxo. Há personagens que mereciam ter sido melhor reaproveitadas.

Esta é sem dúvida uma história de vida extraordinária, pelo que Stephen Hawking merecia um filme mais complexo, mais arrojado, mais ao seu nível. Mesmo que a realização de James Marsh seja a de um tele-filme, “A Teoria de Tudo” acaba por ser um drama interessante sobre este casal lutador. É um daqueles filmes que vive única e exclusivamente da narrativa e das interpretações dos dois atores.

Realização: James Marsh

Argumento: Anthony McCarten

Elenco: Charlie Cox, David Thewlis, Eddie Redmayne, Emily Watson, Felicity Jones

Reino Unido/2014 – Biografia

Sinopse: Em 1963, enquanto estudante de cosmologia na conceituada Universidade de Cambridge, no Reino Unido, Stephen consegue grandes avanços e está determinado a encontrar uma “simples, eloquente explicação” para o Universo. O seu mundo expande-se quando se apaixona por Jane Wilde, uma estudante de artes, também em Cambridge. Mas, aos 21 anos, este jovem saudável e ativo recebe um diagnóstico que vai abalar a sua vida: a degeneração dos neurónios motores vai atacar os seus membros e as suas capacidades, deixando-o com limitações de fala e movimento e terminando com a sua vida em dois anos.

«A Teoria de Tudo» - Um génio, uma mulher e a doença
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