Está de volta aos cinemas aquele que foi durante doze anos o campeão de bilheteiras, “Titanic”, que acumulou cerca de 1,800 biliões de dólares de receitas em todo o mundo, tendo sido ultrapassado por “Avatar” (2010), que chegou aos cerca de 2,700 biliões de dólares de receitas. Estamos a falar naquele que foi até 1997 o filme mais caro de sempre, com um custo a arredondar os 200 milhões de dólares. Um filme que marcou o cinema e gerações que se dividiram entre os que odeiam e os que amam. Eu encontro-me no “grupo” do meio. Quando “Titanic” estreou eu tinha sete anos e nunca o tinha visto numa sala de cinema, até agora. Só com cerca de 8 ou 9 anos é que vi o filme na televisão e posteriormente vi e revi dezenas de vezes, na TV, em VHS e até em DVD. Desde essa altura, que vi o filme, fiquei imediatamente hipnotizado pela história do Titanic, pela história daquele que foi o maior navio de sempre e pelo seu trágico fim. Quando referi a alguns amigos que ia rever o filme ao cinema obtive de imediato comentários pouco agradáveis, do género: “não tens vergonha?”, “tu desiludes-me”, “vais gastar 7€ nesse filme?”, e por ai fora. O que lhes disse foi que queria muito ver este filme que sempre apreciei numa grande tela de cinema, para viver uma experiência diferente da do sofá de casa.

Estou perfeitamente ciente de que o regresso deste filme aos cinemas não se deve apenas ao facto de a tragédia do Titanic celebrar 100 anos este ano (15 de abril de 2012). Deve-se também ao facto de James Cameron, o realizador, querer aproveitar para meter mais alguns trocos ao bolso, ainda por cima com um relançamento em 3D que está na moda desde 2010. Mesmo assim estava consciente  no que me ia meter. Pagar 7€ para ver um filme que foi convertido em 3D, pois não o era de raiz, e que já vi e revi dezenas de vezes, é um pouco estúpido. Mas mesmo assim quis ir, pois os filmes devem ser vistos no cinema e esta podia ser a minha última oportunidade. Mas voltando ao 3D, eu sabia para o que ia. Afinal, estamos a falar de James Cameron, provavelmente o realizador mais entusiasta desta tecnologia, que na prática nunca a conseguiu usar devidamente. Veja-se o exemplo fracassado de “Avatar” e agora de “Titanic”, que durante todo o filme nem nos apercebemos que estamos a ver um filme em 3D. Pois parece exatamente igual. Ou seja, este relançamento aos cinemas foi principalmente para roubar algum dinheiro às pessoas. Pessoalmente nunca gostei muito do 3D e até ao momento só gostei de um filme que tenha usado esta tecnologia, “Hugo” (2011).

A 10 de abril de 1912 deu-se a viagem inaugural, em Belfast (Irlanda do Norte), com cerca de 2240 passageiros que partiam para os EUA (Nova Iorque) à procura de uma nova vida, de novas oportunidades, de esperança, de um sonho. Sonho esse que está bem presente no filme nos passageiros da terceira classe. Infelizmente o maior navio do mundo choca num iceberg no Oceano Atlântico a 15 de abril de 1912, tendo morrido cerca de 1500 pessoas naquele que foi uma das maiores tragédias do século XX.

“Titanic” é, a meu ver, o único bom filme de Cameron, o mais “artístico”, se é que posso sequer usar esta palavra com este realizador. Não gosto dele nem dos seus filmes que são feitos com um único objectivo: entreter e enriquecer. Mas vejo nele uma enorme paixão pelo Titanic, pelo que temos isso em comum. Cameron conseguiu de uma forma extraordinária passar essa sua grande paixão para o grande ecrã, naquela que é até hoje a mais bela homenagem ao Titanic, num verdadeiro épico que há muito não se via. Literalmente um épico, de três horas, pois Cameron mandou reconstruir metade do belíssimo e luxuoso navio, daí os 200 milhões!

O argumento que já todos conhecem é mediano e banal, ou seja, nunca poderá ser uma fonte de referencia deste filme. No entanto, pode-se dizer que há duas histórias neste filme, a do Titanic e o romance de Rose e Jack. Esta última é, provavelmente, a que mais gente cativou e emocionou. No entanto, é a primeira que mais me emociona, apesar de no final de toda esta tragédia ambas as histórias emocionarem facilmente. Existem dois grandes romances, o de Jack e Rose (sem dúvida um dos pares românticos mais célebres da história do cinema) e o de Cameron e Titanic. Este último par percebe-se pela maneira como Cameron filma e como a câmara se move. São momentos como o do casal de idosos agarrados enquanto o barco se afunda; o capitão Smith a fechar-se na ponte de comando; Thomas Andrew a pedir desculpa a Rose por não ter construído um navio melhor e mais seguro; a banda que ficou até ao fim a tocar a música “Nearer My God to Thee”; uma mãe a ler um livro aos seus filhos durante o desastre; os pratos e as louças novas, que nunca tinham sido usadas, a cair ao chão; o navio a partir-se em dois; etc. São momentos como estes que tornam “Titanic” num filme especial e percebe-se o quanto Cameron desejaria ter entrado nele.

James Cameron tenta ainda fazer notar as diferenças sociais que existiam na época, entre 1ª, 2ª e 3ª classe. Penso que a mensagem é bastante clara nesse ponto. Tal como o espírito vivido por aquelas pessoas e pelo sofrimento que passaram.

Penso que muita gente não sabe, mas “Titanic” não é propriamente um filme original, pois houve no mínimo cinco filmes que recriaram este acontecimento. Mas nenhum conseguiu recria-lo tão bem como este. Isso deve-se ao facto de em 1997 Cameron ter tido acesso a uma tecnologia bastante avançada que na altura não era possível imaginar. Cameron pode mergulhar até ao fundo do oceano e ver Titanic de perto e recolher imagens (que aliás aparecem no filme). Pode assim recriar de uma forma mágica e bela o verdadeiro Titanic. As cenas da segunda parte do filme são as que contem mais efeitos especiais, pois reconstituem o afundamento do navio. Nota positiva ainda para o som, edição banda sonora, composta por James Horner. É impossível nos dias de hoje pensarmos no Titanic sem a música deste filme.

Quanto ao elenco, DiCaprio e Winslet conquistaram o público. Principalmente DiCaprio que se lançou com este blockbuster numa grande estrela. No entanto, não é um filme que se destaque por grandes interpretações.

100 anos depois do terrível desastre a sua memória perdura nesta bela homenagem. “Titanic” é um bom filme, digam o que disserem. Não será certamente uma obra-prima, mas é um clássico e um dos últimos épicos cinematográficos. É um filme que deve ser visto pela história do acontecimento, tudo o resto é secundário. Titanic merece esta grandiosa e sublime homenagem.

Realização: James Cameron

Argumento: James Cameron

Elenco: Leonardo DiCaprio, Kate Winslet

EUA/1997 – Drama

Sinopse: Esta é a história da menina rica e do menino pobre que se encontram no navio inafundável, o majestoso Titanic. A bordo desse navio, autêntico retrato da sociedade desse século, os dois apaixonam-se e vivem uma curta mas intensa história de amor…

«Titanic» - 100 anos depois a sua memória perdura!
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