Truffaut é sinónimo de inocência, de rebeldia, de liberdade, de cultura francesa, e claro, é sinónimo de cinema. Estou a falar de François Truffaut, um dos mais conceituados cineastas franceses que nasceu a 6 de fevereiro de 1932 e que hoje completaria 80 anos de idade se não tivesse morrido a 21 de outubro de 1984, vítima de um tumor cerebral.

Truffaut deixou uma marca incontornável na história do cinema, com uma obra composta por mais de vinte longas metragens, que receberam nomeações para os Óscares e para os BAFTA, passando por Cannes, Berlim e Veneza. Em 1953, com a ajuda de André Bazin, passa a escrever criticas de cinema para a revista “Cahiers du cinéma“, onde desde logo provocou polémica com os seus manifestos. É a partir destes textos que surge, pouco tempo depois, a “política dos autores”, onde Truffaut defendia que um filme deveria pertencer a um único “autor”, normalmente o realizador. Surge assim a “teoria do autor”, onde o estilo de um filme define um autor. Tudo isto vai abrir as portas para a criação de um dos mais radicais e inovadores movimentos do cinema, a “Nouvelle Vague” (em português a Nova Vaga) (que contagiou o cinema de todos os países do mundo). Este movimento, criado por jovens cineastas franceses defendiam a política dos autores e a produção de filmes a baixo custo. Atrevo-me a dizer que foi a segunda maior evolução que o cinema já sofreu depois da chegada do som. Entre os representantes do movimento estão nomes que viriam a fazer parte da história do cinema, Jean-Luc Godard, François Truffaut, Alain Resnais, Jacques Rivette, Claude Chabrol Eric Rohmer.  Estes são a primeira geração de novos realizadores que passam de críticos de cinema para realizadores. Destes seis apenas três continuam vivos e a fazer cinema, Godard, Resnais e Rivette.

A sua grande estreia no cinema é com a longa metragem “Os Quatrocentos Golpes” (1959), um filme baseado na sua própria infância, que inaugurou a “Novelle Vague”. Foi com este filme, que Truffaut foi a Cannes receber o prémio de melhor realizador, tornando-o mundialmente famoso. Esta é talvez a melhor obra do realizador, onde a inocência e a rebeldia transpiram no protagonista Antoine Doinel (brilhantemente interpretado pelo jovem ator Jean-Pierre Léaud). É com este filme que percebemos o tipo de cinema que Truffaut quer fazer. Qualquer pessoa se pode identificar na personagem Doinel, o próprio Truffaut é Antoine Doinel. Esta personagem teve direito a uma saga de cinco filmes, onde acompanhamos Antoine Doinel na sua vida amorosa e pessoal. Os quatro filmes que se seguiram são, “Antoine et Colette” (1962), “Beijos Roubados” (1968), “Domicilio Conjugal” (1970) e “Amor em Fuga” (1979).

Mas Truffaut era um realizador bastante diversificado, pelo que nos seus filmes podemos encontrar um pouco de Chaplin, de Renoir e de Hitchcock. Passou por vários géneros como film noir americano em “Disparem Sobre o Pianista” (1960) e ficção cientifica em “Grau de Destruição” (1966). “Jules e Jim” (1961), “A Noiva estava de Luto” (1967), “O Menino Selvagem” (1970), “O Último Metro” (1980) e “Finalmente, Domingo!” (1983) (o seu último filme) são ainda algumas das suas melhores obras e de enorme referência para o cinema francês.

Este foi apenas um breve resumo da vida e obra de um homem que amava o Cinema, mais do que a vida. François Truffaut é um cineasta a conhecer e a rever. Obrigatório!

O melhor de François Truffaut:

A saga de Antoine Doinel: