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Mia Tomé, atriz portuguesa de 24 anos e Mestre em Educação Artística pelas Belas Artes de Lisboa, escreveu ontem um artigo no Expresso, onde dá o mote para a noite mais esperada do showbiz norte-americano, os tão ansiados Óscares deste domingo.

Quando era adolescente, naquela fase em que tudo é entusiasmante, intenso e sensível, vibrava com o acontecimento Óscares”. Tanto através da própria visualização dos filmes nomeados, como transpondo a experiência cinematográfica em listas de apostas para os vencedores de cada categoria, essa competição, saudável e gratificante, permitia que, com amigos, se ficasse até tarde a sussurrar comentários sobre os vencedores. Esta magia da grande noite do cinema de Hollywood, esta febre pela celebração da sétima arte, imortaliza toda uma paixão eternizada num sonho: o de ser atriz.

Mas obviamente que com o passar dos anos as convicções mudam e os interesses também”. Num momento de epifania, deparou-se com uma realidade difícil de aceitar: a responsável por ter escolhido o caminho do teatro e do cinema, a atriz mais inacreditável que este mundo já viu”, Gena Rowlands, nunca foi galardoada com uma estatueta dourada. Recebeu em 2015 um Óscar Honorário, mas nunca na categoria (tão cobiçada) de Melhor Atriz. Conhecida, sobretudo, pelos seus papéis em Glória” (1980) e “Uma Mulher Sob Influência (1974), que lhe arrecadou duas nomeações na categoria principal, uma musa e inspiração do cinema independente, entusiasmou uma série de mulheres a serem atrizes, a serem artistas, a serem autoras; mostrou-nos que uma atriz tem a missão de investigar e criar a sua acção dentro de um filme”.

Mia descreve Gena Rowlands como uma figura a verter talento, com um intelecto brilhante, dona de conversas encantadoras, com a capacidade de congelar teatros. Uma mulher que elevou o cinema mundial a um patamar inigualável, ao apogeu de um sonho onde tudo é possível. Na 91.ª cerimónia da celebração do cinema, que acontece este domingo, no ano em que há mais mulheres nomeadas da história dos Óscares (52 mulheres), Glenn Close, a veterana, nomeada pela sétima vez, a quarta como melhor atriz, pelo filmeA Mulher” (2017), dignifica o reconhecimento do contributo feminino recente pela sétima arte. Neste sentido, a atriz mexicana Yalitza Aparicio, estreante nestas andanças, defende, a propósito do filmeRoma” (2018), que o filme presta um tributo a todas as mulheres comuns, com as quais todas nos identificamos; neste momento, é importante reconhecer todo o trabalho que as mulheres do cinema estão a fazer. Por outro lado, Olivia Colman está nomeada para Melhor Atriz e Emma Stone e Rachel Weisz são candidatas ao prémio de Melhor Atriz Secundária, através do filmeA Favorita” (2018), que ajudou à média de um estudo recente que revela que 40 filmes numa lista de 100 tiveram mulheres como protagonistas.

No rescaldo da gala anual do Women in Film”, realizada em Los Angeles, que junta as mulheres que trabalham na indústria cinematográfica, a diretora do evento, Kirsten Schaffer, apontou:queremos ver 50%, 51% dos filmes com mulheres à frente da câmara, atrás das câmaras e atrás da mesa.

A verdade é que o movimento #MeToo foi um ponto de viragem na forma como Hollywood deve olhar para as mulheres e abriu novos caminhos. Que esta ascensão mediática do feminino no cinema seja o apanágio da diversificação, da igualdade e do enriquecimento de um amor único e genuíno pela sétima arte.