Quem diria que Tom Ford, um estilista famoso, que nunca fez um filme, conseguiria fazer uma obra destas? Um filme singular, sem dúvida. É um daqueles que não se vê todos os dias. «Um Homem Singular» promete ser, talvez, um dos melhores filmes independentes do ano.

«Um Homem Singular», baseado na obra de Christopher Isherwood, acompanha a história de George Falconer (Colin Firth), um professor universitário de literatura, de meia-idade e angustiado. A ação decorre em Los Angeles, em novembro de 1962. George anda à procura de um novo sentido para a sua vida desde a morte repentina do seu parceiro de longa data, Jim (Matthew Goode). Ao longo de um único dia, George revive o seu passado e prevê o futuro, enquanto se prepara para o suicídio planeado para aquela noite. Depois de jantar com a sua amiga Charley (Julianne Moore), depara-se inesperadamente com um jovem estudante, kenny (Nicholas Hoult) que não o larga, perseguindo George, vendo nele uma alma gémea.

O filme revela as consequências que a solidão e a mágoa emocional têm numa pessoa perfeitamente normal e como essas consequências podem ser devastadoras. “Um Homem Singular” pode não vir a ter muito público, pelo facto de ser catalogado, por muitas pessoas, como “um filme homossexual”, o que é errado. O facto de o filme apresentar uma relação entre dois homens é quase um pormenor. O filme é uma celebração da vida e do amor.

É interessante ver como todo o filme é passado num dia e nele vemos inúmeros flashbacks do passado de George. Vê-se que Tom Ford domina bem a linguagem cinematográfica e é curioso ver que ao longo do filme encontramos pelo menos três referências a clássicos do cinema: a James Dean, a Charlton Heston, no filme “Ben-Hur“, e a “Psico“.

Em termos técnicos, o filme está fabuloso: com planos de pormenor criativos, uma banda sonora hipnótica e uma fotografia mágica. Por vezes temos tons de cinza, outros vezes transformam-se quase em sépia, fazendo lembrar a fotografia dos anos 60.

Quanto à interpretação do elenco, é brilhante. Colin Firth conseguiu neste filme, a sua melhor interpretação, e será por ela que ficará nos anais da história como um ator excecional. Julianne Moore também não pode ser esquecida, sendo este um dos seus melhores papeis da última década.

É com grande pena que “Um Homem Singular” não esteja nomeado para as categorias de Melhor Filme, Melhor Realização e Melhor Fotografia. Hollywood, como sempre, preferiu nomear os filmes mais rentáveis, em vez dos filmes mais artísticos. Sendo assim, este filme obteve apenas uma nomeação aos Óscares, a de Melhor Ator, para Colin Firth.

Realização: Tom Ford

Argumento: Tom Ford

Elenco: Colin Firth, Julianne Moore, Nicholas Hoult

EUA/2009 – Drama

Sinopse: Los Angeles, 1962, no pico da Crise dos Mísseis de Cuba. George Falconer é um professor universitário de 52 anos, a tentar encontrar de novo um sentido para a vida depois da morte do seu companheiro de longa data, Jim. George mergulha no passado e não consegue imaginar o seu futuro. Quando o acompanhamos durante um único dia, uma série de encontros levam-no a decidir se haverá ou não sentido para a vida depois de Jim.

«Um Homem Singular» - Um Filme Singular
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