O realizador norte-americano tinha um vínculo com os estúdios da Amazon para a produção de quatro filmes, mas a empresa denunciou o contracto após o escândalo em volta do alegado abuso sexual de Woody Allen sobre a filha Dylan Farrow.

Allen exigiu uma indemnização de 68 milhões de dólares (60 milhões de euro) e foi mais longe, criticando a atmosfera de caça às bruxas em que qualquer homem num escritório que pisque o olho a uma mulher tem imediatamente de telefonar a um advogado para o defender.

Inclusive, e a respeito do filme que está a filmar, “A Rainy Day in New York”, Timothée Chalamet já doou o seu salário recebido pelo filme para movimentos que lutam contra o assédio sexual, em protesto pelo que diz ser uma conduta de realização imprópria de Allen para com os atores, deixando o futuro da película incerto. No entanto, Jude Law, um dos protagonistas do filme, saiu em defesa de Woody Allen e do próprio filme, salientando: “É vergonhoso, é terrível. Eu gostava de ver o filme completo. As pessoas trabalharam muito e investiram muito, obviamente o próprio Allen investiu muito.

Woody Allen acrescentou ainda o seguinte desabafo: “Trabalho há 50 anos na indústria do cinema. Trabalhei com centenas de atrizes, grandes atrizes, atrizes famosas, algumas a começar a carreira, e nunca nenhuma sugeriu nenhum tipo de comportamento indecente.

Numa altura em que há muitas tensões na indústria cinematográfica, não deixa de ser triste verificar que são estas confusões a dominar a atualidade, e não a celebração do cinema como um todo. Woody Allen é um realizador estupendo, todo o seu valor é completamente inegável. Não acho que deva ser o passado a determinar o futuro de um artista. O valor de Woody Allen fala por si e, apesar do escândalo, não deve ser isto a determinar o fim de um contracto profissional.

Há que saber separar as águas.