Despedimos de José Pedro Amaro dos Santos Reis, mais conhecido entre nós como Zé Pedro, em 2017, a partir daí, para além da saudade deixada em familiares, amores, amigos e fãs, surgiram enésimos e enésimos tributos prestados à sua figura. Para o mais cético, todo este movimento que cultua o guitarrista da banda de sucesso “Xutos e Pontapés” não é mais que um mero exagero de vista para o oportunismo, porém, a persona por detrás dos acordes de “Não Sou Único” e “Circo de Feras” revelou-se ser uma das peças centrais da História do rock português.

No documentário de Diogo Varela Silva (realizador de “Celeste”, sobre a fadista Celeste Rodrigues, e produtor de “O Ornitólogo”, de João Pedro Rodrigues), é possível esclarecer as dúvidas quanto à sua influência. Zé Pedro encarava a vida com uma ambição inabalável, de sorriso exibido e com amor à música para dar e vender. O filme inicia, previsivelmente, na sua infância “salta-pocinhas” devido à carreira militar do pai, com paragens obrigatórias no seu despertar musical (aos 16 anos escrevia críticas a álbuns) e na sua tremenda coleção de bilhetes de concertos e eventos. Pelo meio deparamos com a história a génese da banda que o consagrou, “Xutos & Pontapés” (anteriormente e efemeramente intitulado de “Beijinhos & Parabéns”), do bar que geriu com Alex Cortez (baixista de “Radio Macau”) – Johnny Guitar – que tornaria num dos principais focos de inspiração musical de Lisboa na década de 90, e ainda as suas aventuras na rádio, uma rúbrica do qual este filme apropria o título.

São pontos e mais pontos, uma trajetória esquematizada para dar-nos a compreender, em modo enciclopédico, a biografia do guitarrista. Se é bem verdade que Diogo Varela Silva conheceu e conviveu com Zé Pedro, não escondendo o seu igual gesto de tributo a um amigo, e a partir dessa iniciativa que tracejamos os seus pontos virtuosos (o intimismo e modéstia enquanto documentário) e as suas fraquezas (não persiste, nem explora o seu lado negro, das suas conotações politicas nem sequer do seu vicio de droga).

Por outras palavras, é um objeto de admiração por familiares, amigos, amores e fãs … sobretudo devotos fãs … que reverte esse fascínio em igual fasquia.

«Zé Pedro Rock'n'Roll» - A balada do Homem do Leme neste Circo de Feras
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