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«Bambi» – A mensagem silenciosa da Disney (70º Aniversário)

Estreou há 70 anos a quinta longa-metragem da Walt Disney, “Bambi” (1942), que viria a tornar-se num dos maiores clássicos de sempre da história do cinema de animação. A Disney fez história em 1937 ao estrear a sua primeira longa-metragem, “Branca de Neve e os Sete Anões”, tendo este, juntamente com “Pinóquio” (1940), “Fantasia” (1940), “Dumbo” (1941) e “Bambi”, feito parte da “era de ouro” da Disney. Os cinco são hoje considerados os grandes clássicos do estúdio. Apesar da década de 40 ter sido encantadora, em termos de oferta de filmes do estúdio, nem “Pinoquio”, nem “Fantasia” e nem “Bambi” foram grandes êxitos de bilheteira. A geração de desenhadores e técnicos dos anos 40 que criou estas cinco obras foi única. “Bambi” digamos que encerra esse período áureo que só viria a ser repetido nos anos 90, que foi a década de glória da Disney.

 

Adaptando um romance austríaco de 1923, de Felix Salten, “Bambi” conta a história da vida de Bambi, um veado, que nasceu na floresta e faz amizade com Tambor, um coelho, e Flor, uma doninha. Os três vivem uma infância feliz, fazendo amizade com vários animais e conhecendo os encantos da floresta. Mas Bambi acaba por conhecer muito cedo o maior perigo da floresta, o caçador (o Homem), que mata a sua mãe. Bambi terá que aprender a sobreviver sozinho e a proteger os seus amigos e namorada, Falina, durante a sua adolescência.

 

É uma história simples, repleta de mensagens fortes que serão entendidas por qualquer criança. Este é um filme que nos faz crescer como pessoa, quer crianças, quer adultos. Aprendemos grandes valores e sentimentos da vida, como a amizade, família e amor. Aprendemos também os valores da natureza, os ciclos da vida da floresta, a sobreviver e que a caça é uma prática errada. Este é um filme que passa mensagens silenciosas, pois os diálogos são quase inexistentes.

 

“Bambi” é um filme que passa uma mensagem realista, que se irá manter atual para sempre. Entendemos o ciclo da vida, em que temos de comer para sobreviver, onde a espécie mais forte é a que predomina sobre as mais fracas. O vilão desta história é o caçador, o Homem, que caça para comer ou apenas por divertimento. A Disney mostra-nos tudo de uma forma brilhante, sem nunca nos mostrar o Homem. Apenas temos alguns sons que associamos a ele, como o som de uma espingarda e a música que anunciava a sua presença, representada apenas por três notas. Assim como vemos o medo nos olhos dos animais, quando estes se sentem ameaçados pelos caçadores; e o fogo é outro elemento que está associado ao caçador. O “Homem”, que apesar de nunca ser revelado está sempre presente, foi considerado um dos maiores vilões da história do cinema americano.

 

É neste filme que vemos a primeira morte num filme Disney. A cena da morte da mãe do pequeno Bambi é ainda hoje uma das cenas mais violentas que há memória no mundo Disney. Esta cena foi composta de forma simples, que joga com mistério, música e medo. Estes elementos foram suficientes para criar o drama necessário, sem nunca mostrar a mãe a morrer. Esta é sem dúvida a cena mais conhecida do filme, que consegue ainda hoje criar muitas lágrimas de muitos espectadores.

 

Todo o filme tem um visual único. A Disney criou um inovador estilo artístico e experimental. Foram buscar um artista chinês, Tyrus Wong, cujos seus desenhos inspiraram o estúdio e o filme, para criar os fundos de “Bambi”. O seu estilo simplista e impressionista das paisagens criaram um ambiente bastante realista e estilizado. A produção técnica deste filme foi deveras complicada, tendo em conta a tecnologia disponível na altura. O estúdio contratou os melhores desenhadores daquela época e mandou-os treinarem o desenho, indo para florestas desenharem veados, mochos, coelhos e outros animais. O estúdio deu assim um grande salto no desenho desde “Branca de Neve”, tornando os animais mais realistas, afastando-se das suas caricaturas. A música, composta por Frank Churchill e Edward H. Plumb, é também muito criativa e inovadora. Serviu em alguns casos para transitar de uma estação para a outra, veja-se, por exemplo, a cena da chuva.

 

“Bambi” é um filme que transmite a ideia de que os animais são também seres vivos com emoções e sentimentos, assim como “Dumbo” também o faz. Um filme magnífico, onde a alegria e a tristeza convivem juntos, como a própria vida. O eterno “Bambi” é uma das mais raras obras do espólio da Disney porque prima pela sua simplicidade e visual únicos. “Bambi” é uma obra intemporal da Disney que continua a ser vista por crianças em todo o mundo.

 

Classificação:

     

 

Realização: David Hand

Argumento: Larry Morey

Elenco: Stan Alexander, Bobette Audrey, Thelma Boardman, Peter Behn, Tim Davis, Donnie Dunagan

EUA/1942 – Animação

Sinopse: Bambi é um pequeno veado da floresta que cresceu com felicidade, fazendo amigos, aprendendo a sobreviver sozinho e encontrando o amor. Porém, seu tempo de paz acaba quando os caçadores adentram a floresta e Bambi e os outros de sua espécie devem aprender a serem ferozes e corajosos para sobreviverem.

Estreou há 70 anos a quinta longa-metragem da Walt Disney, “Bambi” (1942), que viria a tornar-se num dos maiores clássicos de sempre da história do cinema de animação. A Disney fez história em 1937 ao estrear a sua primeira longa-metragem, “Branca de Neve e os Sete Anões”, tendo este, juntamente com “Pinóquio” (1940), “Fantasia” (1940), …

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Tiago Resende

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3 Comentários

  1. Concordo com tudo o que é falado sobre o filme Bambi, que continua a ser para mim o melhor filme de sempre de animação, tamanha é a subtileza e graciosidade com que todo ele está feito.

    http://armpauloferreira.blogspot.pt/2009/06/kid-stuff-1-classicos-da-disney-bambi-e.html

    • “A magia destas fábulas, a ternura das imagens, as histórias que os fazem raciocinar… enfim, tudo é magnifico.” é a pura das verdades! …qualquer dia tenho que escrever sobre o “Pinóquio” também e comprar o DVD! :P

  2. O Pinóquio também vale bem a pena e é admirável sim, mas há algo de mais especial no “Bambi”. Sempre achei.

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