O CineEco, Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela é o único completamente dedicado à temática ambiental em Portugal. Nos dias 19 e 20 de fevereiro, Coimbra recebe a extensão deste Festival, que é igualmente, um dos mais antigos festivais de cinema de ambiente do mundo, e um dos poucos com dimensão nacional fora de Lisboa e Porto. Aliás, este Festival, que se realiza há várias décadas, tem epicentro em Seia.
Nestes dois dias, são exibidos mais de 10 filmes, entre curtas e longas metragens, de cinema documental e de animação, para públicos diversificados e acompanhados com conversas com investigadores, associações e espectadores.
A programação desta extensão do Festival ao TAGV reflete a qualidade dos filmes, com um olhar multicultural das várias cinematografias mundiais, com filmes de realizadores de várias nacionalidades, sob o tema Espírito da Montanha. Provocar debates e contribuir para ampliar o conhecimento e a consciência sobre as mudanças comportamentais necessárias pela preservação da vida no planeta são alguns dos principais objetivos do CineEco.
19 FEVEREIRO — Sessão Vida Selvagem
14h30 (escolas) & 18h30 (público geral)
A sessão de abertura apresenta dois documentários portugueses que convidam a repensar a relação entre o Homem e a natureza. Em “Até à Última Gota” (Ricardo Guerreiro, Portugal, 2025, 39 min.), Carla Chambel conduz uma jornada pessoal e coletiva sobre a água, cruzando memórias de infância com testemunhos de comunidades locais, cientistas e agricultores. O filme expõe os impactos das monoculturas intensivas de regadio no Alentejo, a perda de biodiversidade e o desequilíbrio dos ecossistemas de água doce, propondo uma reflexão urgente sobre modelos de produção e consumo face às alterações climáticas.
Segue-se “Côa Mais Selvagem” (João Cosme, Portugal, 2024, 52 min.), um retrato sensível e visualmente exuberante da vida selvagem no Grande Vale do Côa. Através de planos-macro e observações do quotidiano de espécies animais e vegetais pouco conhecidas, o filme desconstrói a visão antropocêntrica da paisagem e revela uma biodiversidade surpreendente em território nacional.
Sessão 14h30 Padrinho Jorge Simão / Conversa pós filme com Manuela Abelho, Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Coimbra
Sessão 18h30 Madrinha Catarina Maia, Jardim Monte Formoso e Padrinho Pedro Gomes, Milvoz / Conversa pós filme com João Cosme, realizador do filme “Côa Mais Selvagem”
19 FEVEREIRO — 21h30
Sessão Povos, Identidade, Transformações do Território
A noite é dedicada às relações entre memória, território e exploração dos recursos naturais. “Ex-tract” (Marcel Barelli, Suíça, 2025, 3 min.) propõe uma reflexão poética sobre a extinção em massa e a nossa memória coletiva.
Em “Não Haverá Mais História Sem Nós” (Priscilla Brasil, Brasil, 2024, 1h15), dois investigadores amazónicos desmontam o mito da floresta como “vazio demográfico”, denunciando processos históricos de racismo, exploração e greenwashing que continuam a moldar a relação global com a Amazónia.
Sessão 21h30 Madrinha Letícia Daniel Coelho, Associação de Pesquisadores e Estudantes Brasileiros / Conversa pós filme com João Aldeia, Grupo de Sociedades e Sustentabilidade Ambiental do Centre for Functional Ecology – Science for People & the Planet (CFE)
20 FEVEREIRO — 10h00 (escolas)
Sessão Especial Animação
Pensada para o público escolar, esta sessão reúne curtas de animação que abordam, de forma sensível e criativa, temas como sobrevivência, memória, natureza e empatia. O programa inclui “Extinta” (Yesid Soacha, Colômbia), “La Petite Ancêtre” (Alexa Tremblay-Fancouer, Canadá), “L’Ancien Mond”e (Owen Archinet, França), “Cão Sozinho” (Marta Reis Andrade, Portugal/França) e “Esse é o Bicho!” (Daniel Neves Montezano, Brasil).
20 FEVEREIRO — 14h30
Sessão Conservação Marinha
A tarde é dedicada ao oceano e à urgência da sua proteção. “Soy Agua” (Roser Cusó, Espanha, 2025, 11 min.) acompanha a viagem de uma gota de água desde a nuvem até ao mar, refletindo sobre os impactos da seca. Em “A Clawsome Tale” (Lucie Machin, Reino Unido, 2025, 21 min.), uma lagosta europeia narra a sua própria história, dando a conhecer um projeto pioneiro de conservação marinha na Cornualha. A sessão encerra com “Presos na Rede” (Nuno Lima, Portugal, 2024, 28 min.), um documentário sobre a destruição silenciosa provocada pelas redes de arrasto no mar profundo.
Sessão 14h30 Madrinha Rita Neves, TUMO e Padrinho Romão Gomes, Núcleo de Estudantes de Biologia (NEB/AAC) da Associação Académica de Coimbra / Conversa pós filme com Filipa Bessa, Grupo de Investigação de Recursos Marinhos, Conservação e Tecnologia do Centre for Functional Ecology – Science for People & the Planet (CFE)
20 FEVEREIRO — 21h30
Sessão Clima
A última sessão do festival cruza memória histórica e emoções contemporâneas face à crise climática. “Martha” (Marcel Barelli, Suíça, 2024, 6 min.) recupera um documentário mudo sobre a pomba-torcaz viajante, extinta em poucas décadas pela ação humana. Segue-se “Climate in Therapy” (Nathan Grossman, Olof Berglind & Malin Olofsson, Suécia, 2025, 1h04), um filme original e bem-humorado onde cientistas do clima participam numa sessão de terapia de grupo, enfrentando um tabu académico: falar das suas próprias emoções perante o colapso climático.
Sessão 21h30 Padrinho Sérgio Viana, Presidente da Direção da Delegação Regional do Centro da Ordem dos Psicólogos da Região Centro / Conversa pós filme com representante da Associação ClimAção
A extensão do CineEco a Coimbra é preparada e construída em colaboração e parceria com várias instituições de Coimbra: Teatro Académico de Gil Vicente Centre for Functional Ecology – Universidade de Coimbra, Cátedra UNESCO em Biodiversidade e Conservação para o Desenvolvimento Sustentável da UC, Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Coimbra, Casa da Esquina e Câmara Municipal de Seia.
Todas as sessões têm entrada gratuita.

