MDOC 2024: Estreias nacionais nos filmes a concurso no Festival Internacional de Documentário de Melgaço

A 10.ª edição do festival apresentará três filmes em estreia nacional
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"Savana e a Montanha", de Paulo Carneiro

De 29 de julho a 4 de agosto, Melgaço será novamente o centro das atenções no cenário internacional do cinema documental social e etnográfico com a realização da 10.ª edição do MDOC – Festival Internacional de Documentário de Melgaço.

Os nove filmes portugueses selecionados para a competição oficial abordam temas atuais como imigração, clandestinidade, colonialismo, direitos humanos e ambiente.

Destacam-se entre essas obras a premiada curta-metragem de animação “Percebes”, de Alexandra Ramires e Laura Gonçalves, distinguida no Festival de Annecy, e “A Savana e a Montanha”, de Paulo Carneiro, que foi exibido na Quinzena dos Realizadores em Cannes e terá sua estreia nacional durante o festival em Melgaço.

É notável que três dos filmes selecionados são estreias nacionais, refletindo a diversidade e a qualidade do cinema documental português contemporâneo.

A Savana e a Montanha

“A Savana e a Montanha”, a terceira longa metragem de Paulo Carneiro, é uma das novidades aguardadas com expectativa no grande ecrã. O filme esteve na Quinzena dos Cineastas, mostra paralela do Festival de Cannes 2024, e estreia em solo português no MDOC.

O filme retrata a luta dos habitantes de Covas de Barroso (concelho de Boticas) contra uma multinacional britânica – Savannah Ressources – que pretende construir a maior mina de lítio a céu aberto da Europa a poucos metros dos terrenos e casas da aldeia. Um documentário de resistência que amplifica – com elementos do género western e alguma fantasia – a luta, a criatividade e a resistência da comunidade local.

Percebes

Outra novidade que integra as fileiras dos filmes nacionais a concurso no Festival é “Percebes” de Alexandra Ramires e Laura Gonçalves. O documentário animado em aguarela e digital, que venceu o Prémio Cristal de Melhor Curta-Metragem do Festival de Cinema de Animação de Annecy, França, retrata o ciclo de vida e da apanha deste crustáceo no Algarve.

O tema serve também de crítica ao turismo massificado, ao desordenamento do território e à relação dos habitantes locais com a água e o ar.

Outros documentários

A estes dois filmes juntam-se ainda mais sete documentários candidatos aos prémios Jean-Loup Passek e D. Quixote (atribuído pela Federação Internacional de Cineclubes): de João Gomes, “Couto Mixto”, mais uma estreia nacional, sobre a magia de um lugar, um estado independente de identidade híbrida galega e portuguesa; de Tânia Dinis, “Tão pequeninas, tinham o ar de serem já crescidas”, um relato ficcional e documental sobre várias mulheres que, entre os anos 40 e 70, vieram para a cidade do Porto trabalhar como criadas de servir; de Raquel Loureiro Marques chega, em estreia nacional, “Um mergulho em água fria” sobre imagens que deram forma ao imaginário de família da realizadora.

No MDOC concorrem ainda “Fogo no Lodo” de Catarina Laranjeiro e Daniel Barroca, filme que retrata a guerra colonial vivida entre os balanta conhecidos como “aqueles que resistem” (povo com forte tradição de resistência ao colonialismo português); “As Melusinas à margem do rio” de Melanie Pereira, uma conversa/reflexão com quatro mulheres sobre as suas identidades incertas e fragmentadas – o que é ser imigrante sem o ser, e ser luxemburguesa sem o ser; “Clandestina” de Maria Mire que mostra um mergulho no passado e na vivência de Margarida Tengarrinha que entra na clandestinidade em Portugal e se torna falsificadora por militância política; e de Agnes Meng concorre com o filme “Histórias de Contrabandistas”, um viagem pelas memórias da aldeia de fronteira de Tourém onde se cruzaram vidas difíceis, aventuras inesquecíveis e histórias sobre o “ninho de contrabandistas”.

X-RAYDOC

A edição de 2024 do MDOC inclui a tradicional secção X-RAYDOC, que será realizada a 3 de agosto, às 10h00, na Casa da Cultura de Melgaço.

Esta secção é dedicada à análise de filmes considerados de extrema importância para a História do Documentário, enfatizando a relação com o outro em diferentes contextos. A coordenação fica a cargo de Jorge Campos, jornalista, cineasta e programador cultural.

A este juntar-se-á o jornalista do Público, Sérgio C. Andrade, para uma conversa-debate em torno de “Adeus, Até ao Meu Regresso”, o documentário realizado para televisão em dezembro de 1974, de António-Pedro Vasconcelos.

No mesmo espaço e à mesma hora, mas um dia antes, a 2 de agosto, acontece a masterclass sobre o cinema como lugar de disputa de memória e as potencialidades visuais e sonoras, com José Filipe Costa, realizador de várias curtas-metragens e documentários, entre os quais “Prazer, Camaradas!” (2019), “Linha Vermelha” (2011), “Entre Muros” (2002) e “Senhorinha” (1999).

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