Em agosto de 1969, num descampado Nova Iorque, num festival com lotação para 200 mil, mas que chegou ao meio milhão de pessoas, celebraram-se “três dias de paz, amor e música”. Viveu-se a era do peace and love.

O ano de 1969 foi recheado de eventos que marcaram o século XX: a Lua tornou-se mais próxima de nós e deu-se o histórico passo de Neil Armstrong; o planeta dividiu-se em dois por uma cortina de ferro; combateu-se uma guerra que na América, a maior parte não compreende, mas que devora o melhor de uma geração.

Mas entre os dias 15 e 18 de agosto, os “três dias de paz e música”, esqueceram-se os problemas mundiais e reinou o rock, a anarquia e o pacifismo, com atuações de titãs da música, como Jimi Hendrix, The Who, Janis Joplin, Joan Baez e Carlos Santana.

Meio século depois do lendário evento, lembrado como um momento crucial na história da música popular, quer-se relembrar tudo o que o festival de Woodstock representou e que ainda hoje representa. Mas esta vontade não chega a ser concretizada. O festival que celebraria o 50.º aniversário de Woodstock foi cancelado, após uma série de problemas de produção.

Ficam apenas as memórias, reunidas em formato de documentário na obra Woodstock – 3 Dias de Paz, Música e Amor (1970), de Michael Wadleigh. Um ano depois do grande evento, a Warner Bros. Entertainment estreia um documentário sobre o festival, realizado por Wadleigh, com edição do então jovem aspirante a cineasta, Martin Scorsese (também assistente de realização).

Wadleigh e a sua equipa de rodagem, de que fazia a montadora Thelma Schoonmaker, filmaram, com 16 câmaras, quase 20 mil metros de película, para produzir uma crónica ampla e explícita do evento. Filmando com grande proximidade e intimidade os artistas e os concertos, o filme de Wadleigh um documentário sobre uma comunidade que tão brevemente ali se formou e que parecia ser o começo de alguma coisa maior, mas que logo caiu por terra.

Estreado logo em 1970, numa versão de 185 minutos, “Woodstock – 3 Dias de Paz, Música e Amor” foi amplamente elogiado pela crítica e pelo público, tendo acabado por vencer o Óscar de Melhor Documentário.